Rose

Personagem da obra O Mundo em que Vivi (1949) de Ilse Losa. A evocação autobiográfica de Rose remonta à primeira infância, numa aldeia conturbada da Alemanha, pelos finais da Primeira Guerra Mundial, e desenvolve-se, até à deflagração do segundo conflito mundial, descrevendo alguns dos momentos mais críticos desses anos difíceis, desde a crise económica e social até à vitória nazi. A memória da infância é marcada pelo amor dos avós, nomeadamente pela estima e admiração que nutria pelo avô Markus. Menina "frágil, de cabelo louro, de feições infantilmente lisas" e curiosa, Rose questionava-se acerca de coisas que observava e presenciava, junto dos adultos. Questionava o avô sobre a guerra entre os russos e alemães, mas ficava desapontada e triste com as suas respostas. Como judia, na companhia dos avós, frequentava a sinagoga e era a melodia da cerimónia que lhe despertava sonhos, desejos e pressentimentos. O avó envelhece e, por essa altura, muda de ambiente familiar. Vai viver com os pais, Selma e Leo, e com os irmãos, Rudi e Bruno. Apesar das saudades que tinha sobretudo do avô, Rose familiarizou-se rapidamente com toda a gente. Porém, a ideia de ser feia fazia-a sofrer, e, além disso, não se sentia totalmente livre, pois receava, como judia, que escarnecessem dela, pelo que evitava as festas com os companheiros de escola. As mortes do avô, da avó, do pai e de outros entes queridos abalaram-na. Desfeito o sonho de tirar um curso, Rose vai trabalhar par Berlim, onde consegue uma colocação modesta, numa companhia de seguros, e onde a lembrança do amor de Paul não se extingue. Procurada por dois polícias da Gestapo, com o intuito de a questionarem acerca do seu chefe de trabalho, cinco dias depois teve de abandonar o país, rumo a um longo exílio da terra natal e de um tempo de felicidade ensombrada.
Como referenciar: Rose in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-25 20:48:40]. Disponível na Internet: