S. Júlio I

Papa italiano, natural de Roma, sucessor de São Marcos, principiou a edificação das igrejas basilicais de Santa Maria in Trastevere e dos Santos Apóstolos (Roma). O seu papado ocorreu de 6 de fevereiro de 337 a 12 de abril de 352. Foi o primeiro a utilizar o título de papa.
Foi um acérrimo opositor do arianismo e ajudou os bispos que foram expulsos do Oriente por contrariarem esta tendência, como Marcelo de Ancira e Atanásio de Alexandria, expulsão que se deu por Constantino ter aderido (apesar de comedidamente) àquela doutrina.
Sendo o poder do pontífice de Roma crescente, tomou pela primeira vez o título de papa e convocou um sínodo na basílica/palácio de Latrão, onde afirmou, contrariamente ao que se tinha verificado no sínodo de Antioquia, a sua crença na consubstanciação do Filho e do Pai.
A pedido deste papa, celebrou-se igualmente um concílio em Sardes (343), onde se reabilitaram os citados bispos de Ancira e de Alexandria, se confirmou a primazia incontestável do papa e o direito de cada bispo destituído poder recorrer ao Sumo Pontífice.
Júlio I estabeleceu uma chancelaria com a mesma constituição da imperial, presidida pelo primicerius notariorum, para resolver os assuntos de que os sacerdotes se queixavam, uma vez que estavam proibidos de apelar aos tribunais civis. Por outro lado, revelava a autoridade e estabilidade que a Igreja estava a adquirir depois dos negros episódios das perseguições.
Lutou pela instituição da celebração do Natal no dia 25 de dezembro, principalmente no Oriente, uma vez que até aí era realizada no dia 6 de janeiro. Tal facto, veio a concretizar-se com S. Libério, o papa seu sucessor.
A sua sepultura encontra-se na Igreja de Santa Maria in Trastevere.
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