S. Sérgio I

Papa italiano, siciliano natural de Palermo e de origem siríaca, viveu em Roma desde muito cedo e começou por ser menino de coro, tendo chegado a pároco da igreja de Santa Susana, em Roma.
A eleição do sucessor de Cónon foi bastante atribulada, uma vez que foram apresentados dois candidatos: Teodoro, apoiado pela milícia e que se instalou em São João de Latrão, e Pascoal, candidato apresentado pelos sacerdotes, que se apoderou da parte exterior da dita basílica.
Quando Sérgio foi eleito por parte do exército, dos clérigos e dos nobres, uma vez que nenhum dos apresentados lhes agradava, Teodoro reconheceu a legitimidade do novo papa, contrariamente a Pascoal. O seu papado teve início a 15 de dezembro de 687 e terminou a 9 de setembro de 701.
Este pontífice enviou o pallium honorífico (que equivalia a dar a categoria de arcebispo ou metropolita) aos bispos de Canterbury, Beorthwealdo, e de Ravena, o qual também consagrou. Incentivou igualmente as missões cristãs nos territórios germânicos, batizou o rei de Wessex, Caedwalla, em 689, nomeou São Willibrodo bispo da Frísia (Países Baixos) como compensação do seu excelente desempenho missionário na zona.
Foi durante o seu papado que se deu a adesão de Veneza à Igreja de Roma, terminando assim, definitivamente, com o cisma de Aquileia. Continuava assim a consolidação da Igreja no Ocidente.
Tendo dedicado bastante atenção ao urbanismo de Roma, colocou as cinzas de São Leão numa sepultura no centro da basílica de São Pedro, estabeleceu o triplo canto do Agnus Dei e datou: as festas da Natividade a 8 de setembro; da Candelária a 2 de fevereiro; da Assunção a 15 de agosto; e da Anunciação, a 25 de março.
São Sérgio recusou-se a aceitar as atas de um concílio realizado em Constantinopla por iniciativa do imperador Justiniano II, no ano de 692, onde este tentou impor-se disciplinar e liturgicamente, tendo declarado que Roma e Bizâncio (antiga Constantinopla) se equiparavam em importância e que os sacerdotes não eram obrigados ao celibato. Como consequência desta recusa o imperador ordenou a sua prisão, algo que não chegou a acontecer porque os exércitos da Pentápolis (que compreendia Rimini, Ancona, Sinigalia, Pesaro e Fano), Roma e Ravena tomaram o partido do papa.
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