S. Símaco

Papa italiano, nascido na Sardenha, converteu-se ao cristianismo e foi consagrado papa em São João de Latrão (Roma). Exerceu a função pontifícia de 22 de novembro de 498 a 19 de julho de 514. Paralelamente, os partidários laicos de Anastácio II consagraram Lourenço, que se tornou deste modo antipapa.
O imperador Teodorico declarou válida a eleição de São Símaco, uma vez que tinha sido a primeira a efetuar-se e tinha sido feita pela maioria.
O papa convocou um sínodo, em 499, para impor as regras da eleição dos pontífices, sendo instituída a nomeação apenas por detentores de cargos eclesiásticos, e declarando-se que a que fosse efetuada por personalidades seculares não teria qualquer valor. Este sínodo traria contudo várias atribulações, uma vez que a poderosa elite romana não se conformou com as decisões. Assim, quando Teodorico se deslocou a Roma no ano de 500, foram feitas acusações ao papa de má administração dos bens da Igreja, de não respeitar a abstinência sexual e de não celebrar a Páscoa no tempo devido. Como consequência destas denúncias e do facto de São Símaco se recusar a sair do Vaticano e apresentar-se perante o imperador para prestar contas enquanto magistrado imperial, Teodorico nomeou o bispo de Altinum administrador da cidade a título provisório. Este não foi reconhecido pelo papa, naturalmente.
O sínodo convocado a 23 de outubro de 502 para a resolução da questão declarou que o pontífice de Roma está acima de qualquer juízo humano, devendo curvar-se apenas perante o de Deus.
Em novembro de 502 o sínodo continuou em Roma, tendo-se afirmado que os poderes seculares não poderiam intervir nos assuntos da Igreja. Foram também confirmadas nesta altura as disposições do sínodo realizado em 499.
Como Teodorico não esteve de acordo com as disposições tomadas no concernente ao poder laico, que ameaçavam a sua autoridade, investiu de novo Lourenço, que se instalou em São João de Latrão e passou a administrar a maior parte dos bens da Igreja. São Símaco continuou no Vaticano e tornou-se de novo pontífice absoluto (apesar de não aceite unanimemente) quando Teodorico foi persuadido da desvantagem desta divisão pelos diáconos de Alexandria e de Roma.
Durante o seu papado os maniqueus foram expulsos de Roma, foi construída a nova residência do papa no Vaticano e o Gloria foi inserido nas celebrações litúrgicas de solenidade.
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