Salvador de Mendonça

Escritor, jornalista, advogado e diplomata brasileiro, Salvador Drummond Furtado de Mendonça nasceu a 21 de julho de 1841, em Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro (Brasil).
Realizando os seus primeiros estudos em Itaboraí, Salvador de Mendonça foi, aos 12 anos, para o Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Marinho e, mais tarde, no Colégio Curiácio. Depois de concluir os estudos preparatórios, em 1858, conheceu vários intelectuais, como Machado de Assis, Gonçalves Dias e Casimiro de Abreu. Em 1859, inscreveu-se na Faculdade de Direito de São Paulo, tendo nessa altura colaborado para a Revista Mensal do Ensaio Filosófico Paulistano. Um ano depois, juntamente com Teófilo Ottoni Filho, fundou o jornal A Legenda, no qual se abordava problemáticas sociais e políticas.
Depois da morte do pai, em 1860, Salvador Mendonça regressou ao Rio de Janeiro para tomar o lugar de chefe da família, constituída por oito irmãos dos quais se destaca Lúcio de Mendonça. Tornou-se redator do Diário do Rio de Janeiro, colaborou também com o Jornal do Comércio e o Correio Mercantil, foi professor de Latim e, em 1865, de Geografia e História do Brasil, no Colégio Pedro II. Em 1867, regressou a São Paulo, onde foi diretor de O Ipiranga, órgão de comunicação do Centro Liberal de São Paulo, e concluiu o curso de Direito, em 1869. Nesse ano, partiu de novo para o Rio de Janeiro. Exerceu aí advocacia, criou, em 1870, o Clube Republicano, juntamente com Saldanha Marinho e Quintino Bocaiúva e fundou o jornal A República.
Quanto à sua carreira diplomática, começou em 1975, quando foi designado cônsul privativo do Império em Baltimore, depois, foi nomeado para o consulado de Nova Iorque e, em 1876, obteve o título de cônsul geral do Brasil nos Estados Unidos. Um ano depois, casou-se com a norte-americana Maria Redman. Em 1889, foi delegado do Brasil na 1.ª Conferência Internacional Americana, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial nos Estados Unidos. Aquando da implantação da República no Brasil, o diplomata foi dispensado como enviado extraordinário, mantendo-se como ministro em missão especial até dezembro de 1890. Nessa época, foi designado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário de 1.ª classe, em Washington, cargos que ocupou até 1898, altura em que foi removido para Lisboa. Como a sua remoção não foi aprovada pelo Senado, Mendonça foi exonerado. Em 1903, considerado disponível pelo presidente Rodrigues Alves, Mendonça ocupou-se de trabalhos de tradução e, nos derradeiros anos, já cego, escreveu artigos para O Imparcial e O Século, analisando a diplomacia brasileira.
Como escritor, publicou vários artigos, cartas, peças de teatro, romances e livros de poesia dos quais se evidenciam: Singairu (1859), A Herança (1861), O Manifesto Republicano (1870), Maraba (1875), A Revolta da Armada (1893) e Lendas da Serra e da Baixada (1910). O romancista, cuja escrita apresenta características românticas, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Salvador de Mendonça faleceu a 5 de dezembro de 1913, no Rio de Janeiro.
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