Sam Peckinpah

Realizador norte-americano, David Samuel Peckinpah nasceu a 21 de fevereiro de 1925 na pequena cidade californiana de Fresno. Durante a Segunda Grande Guerra, alistou-se no exército, mas nunca chegou a entrar em combate. Findo o conflito, casou-se e frequentou o curso de Teatro da Universidade da Califórnia. Depois de obter o diploma, trabalhou como ator e encenador de teatro. Em 1954, tornou-se assistente do realizador Don Siegel. Assinou o argumento de Invasion of the Body Snatchers (A Terra em Perigo, 1956), iniciando nesse mesmo ano a carreira de realizador, dirigindo diversos episódios de séries televisivas como Gunsmoke (1956), Zane Grey Theater (1956) e The Dick Powell Show (1961-63). A sua primeira longa-metragem foi um western, género cinematográfico que viria a consagrá-lo: The Deadly Companions (Companheiros da Morte, 1961), protagonizado por Maureen O'Hara. De baixo orçamento, o filme passou quase despercebido em termos comerciais. A sua obra seguinte marcou uma homenagem a duas estrelas dos westerns de série B dos anos 30 e 40: Randolph Scott e Joel McCrea. O filme chamou-se Ride the High Country (1962), cujo argumento rondava em torno de dois velhos pistoleiros que são incumbidos de vigiar um carregamento de ouro, aproveitando, durante a viagem, para refletir sobre o rumo que as suas vidas tomaram. Seguiu-se Major Dundee (1965), protagonizado por Charlton Heston, Richard Harris e James Coburn. O filme traça o percurso de um oficial de cavalaria (Heston) que é incumbido de liderar um grupo de soldados inadaptados numa missão contra índios apaches. Contudo, as rodagens num deserto mexicano foram bastante acidentadas: numa luta contra a dependência do álcool e da marijuana, Peckinpah tinha frequentes ataques de fúria, chegando mesmo a ter confrontos físicos com Heston. Após as rodagens, a excessiva violência do filme impressionou negativamente os produtores dos estúdios Columbia que exigiram o corte de cenas fulcrais durante a montagem, algo que irritou profundamente o realizador. O filme teve um desastroso resultado de bilheteira, algo que afetou a imagem do realizador, que esteve quatro anos sem trabalhar. Regressou em grande com The Wild Bunch (A Quadrilha Selvagem, 1969) com um elenco de luxo onde pontificavam os nomes de William Holden, Ernest Borgnine e Robert Ryan. O filme centra-se no trajeto de um grupo de bandidos envelhecidos, com um código de moral muito rígido que decidem reformar-se após um último assalto. Celebrizado pelas suas cenas épicas de violência com recurso intensivo à câmara lenta, o filme tornou-se um marco do cinema interventivo de cariz social. Repetiu o modelo em Straw Dogs (Cães de Palha, 1971) onde pontificou um então jovem Dustin Hoffman no papel de um matemático pacifista que é obrigado a tomar medidas extremas para defender a sua mulher e a sua propriedade contra o ataque de invasores. Os seus filmes seguintes padeceram de alguma inconsistência narrativa que motivou o seu falhanço em termos comerciais. A exceção foi Cross of Iron (A Grande Batalha, 1976), um épico sobre a presença germânica na frente russa em 1943. Protagonizado por James Coburn e James Mason, este foi o último êxito comercial de Peckinpah. Despediu-se do cinema com The Osterman Weekend (O Fim de Semana de Osterman, 1983), um filme de espionagem onde criticou o excessivo poder da comunicação social nos anos 80, com Burt Lancaster e Rutger Hauer nos principais papéis. Em 28 de dezembro de 1984, minado pela droga e pelo álcool, não resistiu a um ataque cardíaco no México, quando estava em fase de pré-produção de um western com argumento de Stephen King.
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