Sami

Com este nome (que também aparece sob a forma de Samieh) é conhecido um dos povos que habitaram na península escandinava. No ano 98 d. C. foi escrita a primeira referência conhecida aos Sami - que aparecem sob o nome de "Fenni" -, feita por Heródoto, historiador romano. Um outro historiador, desta vez grego e chamado Procópio, referiu em 555 d. C. a existência dos "skridfinns", que habitariam em Thule ou Escandinávia. Ocupando grande parte da Suécia na época Viking e na Idade Média, dedicavam-se ao comércio tanto com mercadores do Norte da Europa como com os próprios Vikings. Os Sami tinham uma moeda de troca, chamada "tjoervie", mas pensa-se que comerciavam sobretudo através de troca direta de objetos como peles (visto que um dos meios de sobrevivência era a caça), lâminas de metal e sal. Sabe-se que em 1635 o povo Sami foi forçado a trabalhar na mina de Nasafjäll pelos Suecos, o que provocou uma forte corrente emigratória em busca de locais com melhores condições de vida. A colonização dos territórios sami pelos Suecos a partir da década de 70 de 1600 alterou a estrutura cultural e económica deste povo. Uma das consequências mais graves foi a caça pelos colonizadores de determinadas espécies até à sua extinção, o que provocou epidemias de fome entre os Sami e, gradualmente, a diminuição demográfica. Esta situação apenas se alteraria em 1751, quando o rei sueco criou a Lapónia (passando-se a designar os Sami como Lapões) e conferiu direitos de caça igualitários a Samis e colonos. A perseguição religiosa também não se fez esperar, seguindo-se a deportação de Samis que no século XVIII estivessem a viver em Gästrikland, Västmanland e Kopparberg. A posição anti-étnica da Suécia continuou pelo século XX, proibindo-se no início do mesmo a fala da língua sami nas escolas para nómadas (só em 1992 teriam o direito de comunicar e ser respondidos na sua língua) e até aos anos '70 apenas foi permitida a construção de casas de pequena dimensão a este povo. Foram-lhes também retirados de forma progressiva os direitos de exclusividade de caça e pesca, atividades que com a criação de renas são basilares para a sua subsistência. O povo Sami estende-se por regiões que integram não só a Suécia como as atuais Noruega, Finlândia e Rússia.
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