Santa Aliança

A Santa Aliança foi um tratado político-religioso que surgiu na sequência da queda de Napoleão e da celebração do Congresso de Viena (1814-1815). Tendo como objetivo a Restauração do Antigo Regime, foi elaborado pelo czar russo Alexandre I, sendo assinado em Paris pelo mesmo, pelo rei da Prússia, Frederico Guilherme III, e pelo imperador da Áustria, Francisco I, a 26 de setembro de 1815. O príncipe encarregue da regência de Inglaterra acabou por assinar também este acordo (1815), a par do rei Luís XVIII (1818). Com uma forte aparência religiosa, onde transparecia a vontade de aplicar os princípios cristãos (amor, paz e justiça) à política, o acordo, além de contemplar a não agressão mútua, visava a continuidade de uma filosofia de absolutismo a prosseguir na gestão dos Estados, de forma a contrariar as sublevações que se estavam a fazer sentir da parte de setores populacionais que pretendiam uma política mais liberal e nacional. Seria o ministro austríaco Metternich que colocaria em prática este princípio, depois de efetuadas algumas alterações que originaram o tratado - Quádrupla Aliança - assinado pela Inglaterra, Prússia, Áustria e Rússia a 20 de novembro de 1815, tornando possível a intervenção militar de qualquer nação em outra onde se estivessem a processar movimentos de cariz revolucionário e liberal. Em 1818 a França agregou-se a esta coligação, formando-se a Quíntupla Aliança. Contudo, as fortes reações - intervenção das tropas de Áustria em Itália e do exército chamado dos Cem Mil Filhos de São Luís em Espanha - dos países cooperantes sustentadas por congressos periódicos, como os de Aquisgrão (1818), Troppau (1820), Liublijana (1821) e de Verona (1822) não tiveram o acordo inglês, iniciando-se a partir de 1820 o desacordo que culminaria com a morte do czar russo, Alexandre I, sete anos depois da entrada de França na Aliança.
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