Santa Cruz

Aspetos Geográficos
O concelho de Santa Cruz localiza-se na Região Autónoma da Madeira (RAM) (NUT II e NUT III). Ocupa uma área de 67,5 km2, incluindo as ilhas Desertas, com 14,2 km2, e abrange cinco freguesias: Camacha, Caniço, Gaula, Santa Cruz e Santo António da Serra.
O concelho apresentava, em 2005, um total de 31 588 habitantes.
O concelho é limitado a oeste pelo concelho do Funchal, a norte por Machico e a este e a sul pelo oceano Atlântico.
Possui um clima de influência marítima, com verões amenos, em que a temperatura média ronda os 24 °C, e invernos também amenos, com temperaturas geralmente por volta dos 17 °C.
A sua morfologia é bastante acidentada, destacando-se os montes do Santo da Serra (752 m), Covelopes (820 m) e o pico dos Porcos (956 m). O edificado localiza-se entre a ponta da Atalaia e a de Santa Catarina e estende-se, como um anfiteatro, até ao mar.
Como zona natural, destaca-se a Reserva Natural das Ilhas Desertas, que foi decretada em 1990, com o objetivo de preservar a colónia de focas-monges ali existente e em vias de desaparecimento, como a sua flora característica. Em todo o território protegido não é permitida a caça submarina e na parte sul desta área é proibida a navegação.
Como recursos hídricos, de referir a ribeira de Serra de Água, a ribeira do Moreno, a ribeira da Boaventura e a ribeira do Porto Novo.
História e Monumentos
A povoação de Santa Cruz é uma das mais antigas de toda a ilha, sendo datada dos inícios do século XV.
Foi elevada a vila em junho de 1515.
Os descobridores, quando chegaram a estas terras, viram uns cepos velhos derrubados pelo tempo, dos quais o capitão mandou fazer uma cruz e pendurá-la no alto de uma árvore, dando ao lugar o nome de Santa Cruz. Aqui parece estar a origem da toponímia do concelho. Para comemorar a construção da cruz, por ocasião do seu descobrimento, fez-se levantar no local um cruzeiro, em mármore, destruído em 1889.
Ao nível do património arquitetónico, destacam-se a Igreja Matriz de Santa Cruz, mandada construir por D. Manuel, que começou por ser um pequena capela, edificada em 1533, e que possui um portal gótico; a Capela Madre de Deus (Caniço), fundada em 1536; a Capela da Consolação, do século XVI, reformulada nos séculos XVIII e XX e que apresenta trabalhos em madeira talhada e embutida, alfaias religiosas em prata e várias imagens; a Capela de Santa Isabel, do início do século XVIII, que possui um belo altar-mor em talha dourada; a Igreja da Misericórdia, datada do século XVI; a Capela de Nossa Senhora da Conceição, do início do século XVII; a Capela de Nossa Senhora dos Remédios e a Capela de Nossa Senhora da Piedade, ambas do fim do século XVII, e a Igreja Paroquial de Gaula, de meados do século XVIII, que conserva um recheio de alfaias litúrgicas, de que faz parte uma cruz processional do século XV, em prata.
Tradições, Lendas e Curiosidades
São muitas as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar a festa do Salvador, na vila de Santa Cruz, realizada a 1 janeiro; as festas do concelho, nos dias 14 e 15 de janeiro, sendo o último dia feriado; o arraial de Santo António, no fim de semana próximo de 13 de junho; o arraial de S. Pedro, nos dias 28 e 29 de junho; o arraial do Senhor, na última semana de julho; o arraial do Senhor Povo, o primeiro fim de semana de agosto; a festa de Nossa Senhora da Paz, no segundo fim de semana de agosto, e a Semana Gastronómica, realizada em Caniço, na última semana de agosto.
O concelho é rico em atividades e produtos artesanais, como os bordados, as bonecas de massa, as colheres de pau, os mexilhotes, os barretes de vilão, a tecelagem, a tapeçaria, a cestaria em vime e a cana.
Economia
No concelho predominam, principalmente, as atividades ligadas ao setor terciário, nas áreas do comércio, dos serviços de hotelaria e do turismo. No setor secundário, destacam-se as indústrias de panificação, conserva de peixe e carpintaria.
Na agricultura predomina o cultivo da batata, de culturas hortícolas extensivas, de culturas hortícolas intensivas, de frutos frescos e subtropicais, de flores e da vinha. A pecuária tem também um peso importante na economia concelhia, nomeadamente a que está ligada à criação de aves (havendo vários aviários), coelhos e suínos. Cerca de 30% (119 ha) do seu território está coberto de floresta e cerca de 359 ha correspondem a terrenos dedicados à agricultura.
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