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Santa Cruz da Graciosa
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Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, Santa Cruz da Graciosa localiza-se na Região Autónoma dos Açores (RAA) (NUT II e NUT III), na ilha Graciosa, pertencente ao grupo central do arquipélago dos Açores. O concelho é rodeado pelo oceano Atlântico, tendo a sul o concelho de Calheta e a oeste o de Santa Cruz das Flores. Ocupa uma superfície de 60,9 km2, distribuída por quatro freguesias: Guadalupe; Luz; Santa Cruz da Graciosa e São Mateus.
Em 2021 o concelho apresentava 4 095 habitantes.
O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras Grota da Ventosa e Grota da Lombada. O relevo é caracterizado por basaltos, andesitos, materiais de projeção e cones de escórias, sendo constituído por várias formações geológicas, nomeadamente: o ilhéu da Praia, o ilhéu de Baixo, a caldeira e a furna da caldeira (cratera vulcânica), a ponta do Enxudreiro, a ponta da Engrade, a ponta da Pesqueira, a serra das Fontes (361 m), a serra Dormida (398 m), o Barroso (122 m), o pico das Bichas (144 m), o Facho (375 m) e o pico da Brasileira (112 m).
 

História e Monumentos
Graciosa foi assim batizada pela beleza da sua paisagem, dominada pelo verde dos seus campos. Vasco Gil Sodré, natural de Montemor-o-Velho, foi o primeiro habitante da ilha, no século XV. Santa Cruz da Graciosa recebeu foral de vila em 1486.
A agricultura e o plantio da vinha são a base da economia da ilha, exportando esta já no século XVI cereais, vinho e aguardente, através do porto da vizinha Terceira. Não existem acontecimentos históricos a referir, sendo a natureza pacata do seu povo uma característica ainda atual.
O património arquitetónico existente no concelho é essencialmente de natureza religiosa, destacando-se a Igreja Matriz, de estilo henriquino e manuelino, dos séculos XV e XVIII. A igreja foi erguida no pico das Mentiras, possuindo três naves, um altar-mor e dispondo de dez capelas onde se podem ver elementos da primitiva igreja henriquina e, principalmente, do edifício manuelino. Além da igreja matriz, existem também a Igreja da Misericórdia, que data do início do século XVII, e a Igreja da Nossa Senhora dos Anjos, que possui três naves, tendo anexo o Convento de São Francisco.
No concelho existem várias capelas construídas entre o século XV e o século XVIII, nomeadamente a de São Pedro (século XV), a da Senhora da Ajuda (século XVI), a de São João (século XVI), a do Corpo Santo (século XVI), a do Bom Jesus (século XVII), a da Senhora da Vitória (século XVII), a de Santo António (século XVII), a de Santo Amaro (século XVIII), a de São Salvador (século XVIII) e a da Senhora das Dores (século XVIII).
 

Brasão do concelho de Santa Cruz da Graciosa
Furna do Enxofre na Ilha Graciosa, Açores
Igreja Matriz de Santa Cruz da Graciosa, Ilha Graciosa, Açores
Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam a proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa. Para além desta festa, que é celebrada praticamente em todas as ilhas, ocorrem em agosto as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.
A nível de artesanato, destacam-se os bordados, a viola regional em madeira e a cerâmica em olaria, que inclui vasos, bules, chávenas e canecas, entre outros objetos.
Embora não haja referência a personalidades naturais da terra que se distinguissem, houve algumas que passaram pelo concelho, destacando-se o padre António Vieira, que viveu na ilha dois meses quando o barco em que seguia naufragou, em 1654; Almeida Garrett, que residiu na ilha algum tempo com um tio, quando tinha 15 anos, em 1814; o escritor francês Chateaubriand, que passou algum tempo na ilha aquando da sua fuga durante a Revolução Francesa para a América, e Alberto do Mónaco, um estudioso da vida marinha e da hidrografia, atraído pelo fenómeno das furnas de enxofre da Graciosa.
Ainda no aspeto cultural, de referir o Museu Etnográfico da Graciosa, onde está representada a vida na ilha. O espaço está dividido em quatro secções: a casa rural graciosence, os vestígios artísticos, as alfaias agrícolas e os objetos de viticultura.
 

Economia
Em Santa Cruz da Graciosa o setor primário, na área da agropecuária, constitui a principal atividade económica. Cerca de 57,4% da área do concelho é dedicada à atividade agrícola e o cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, a horta familiar, as culturas permanentes de vinha, as culturas temporárias de cereais para grão e as culturas hortícolas intensivas, os prados e as pastagens permanentes e os prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma baixa densidade florestal, cerca de 15,2%, salientando-se como espécies mais abundantes os cedros, os zimbros, os loureiros, os ulmeiros e as araucárias.
Quanto ao setor secundário, é de realçar a existência de indústrias de produção de vinho e de laticínios e de fabrico de telha.
No setor terciário a área de atividade mais importante é o turismo.
As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar por toda a ilha consistem em banhos, natação, mergulho, pesca, caça e prática de desportos náuticos, tais como vela, windsurf e esqui aquático. Existe igualmente uma estância termal - as Termas de Carapacho - onde se fazem tratamentos com as águas geotérmicas da ilha, indicadas para reumatismo e doenças de pele.

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Santa Cruz da Graciosa na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$santa-cruz-da-graciosa [visualizado em 2026-06-04 14:36:10].
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