Santa Luzia

Segundo a tradição, Santa Luzia teria nascido de pais ricos e nobres por volta do ano de 283, em Siracusa, morrendo em 304 provavelmente também em Siracusa. Quando o seu pai, patrício romano, morreu, Santa Luzia ficou com a sua mãe Eutychia, provavelmente de origem grega. Como muitas das primeiras mártires, Santa Luzia dedicou a sua virgindade a Deus e a sua vida ao serviço dos pobres. Sofrendo durante muitos anos de uma hemorragia, Eutychia resolveu fazer uma peregrinação às relíquias da virgem e mártir Ágata, para pedir a sua cura. A fama de Ágata, vítima da perseguição de Décio e executada 52 anos antes, atraía multidões de peregrinos e muitos milagres eram-lhe imputados. Tendo Eutychia sido curada, Santa Luzia aproveitou para pedir à mãe que a permitisse distribuir uma grande parte dos seus bens aos pobres. Durante o período da violenta perseguição aos cristãos de Diocleciano, no ano de 304, Luzia foi denunciada por um noivo que recusara - Pascácio, governador da Sicília - acusada de cristã e condenada à prostituição, mas foi protegida pela força de Deus, ficando imóvel e não podendo ser levada para o prostíbulo público. Tentaram então queimá-la em vão, acabando por ser morta pela espada. Antes de morrer anteviu o castigo de Pascácio e o fim da perseguição de Diocleciano, que não voltaria a reinar, e a morte de Maximino. Fortalecida com o Sopro da Vida, ganhou a sua coroa de virgindade e martírio. Diz a lenda que os seus olhos estropiados falaram, com o seu corpo já sem vida.
Esta história, nascida provavelmente no século V, não é aceite como verdadeira, sendo uma repetição de factos normais da vida e morte de uma virgem e mártir. No entanto, o culto que lhe foi dedicado foi muito grande e está historicamente documentado. Já no século VI eram-lhe dedicados mosteiros em Siracusa e Roma e o seu nome foi um dos poucos nomes femininos incluídos no Cânone da Missa, ao que tudo indica por São Gregório Magno, havendo em sua honra orações e antífonas especiais no seu Sacramentario e Antifonário. Mencionada no antigo Martirológio Romano e no Martirológio de Beda, o Venerável, Santa Luzia é ainda mencionada no Tractatus de Laudibus Virginitatis e no poema De Laudibus Virginum de Santo Aldheim. Segundo o monge Sigebert (1030-1112), de Gembloux, no seu sermão de Sancta Lucia, dizia que o corpo de Santa Luzia tinha ficado incorrupto durante 400 anos na Sicília, antes de o Duque de Spoleto conquistar a ilha e o ter levado para Corfinium, na Itália. Mais tarde, em 972, o imperador Otão I tramsferiu as relíquias da santa para a igreja de São Vicente, em Metz, de onde um seu braço foi levado para o mosteiro de Luitburg, na diocese de Spire. Quando os francos conquistaram Constantinopla encontraram algumas das relíquias da santa que o Doge de Veneza levou para o mosteiro de São Jorge, em Veneza. Já no ano de 1513, os venezianos presentearam Luís XII de França com a cabeça da santa que ele depositou na igreja catedral de Bourges. O próprio Dante declarou-se um fiel devoto de Santa Luzia.
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