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Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel
Há mais de 500 anos foi construída uma ermida para as gentes do mar guardarem uma imagem da Virgem, venerada há muito em cima do rochedo denominado Pedra de Mua, no Cabo Espichel, Sesimbra. À sua volta foram crescendo modestas casas para receber os peregrinos que aqui demandavam.
À Sra. do Cabo, designação dada a Sta. Maria da Pedra de Mua, afluem vários e numerosos grupos de círios (grandes grupos de peregrinos). Foi ao designado Círio Saloio (peregrinos das redondezas da capital) que coube o incremento da construção do santuário, conforme se pode ler numa lápide: "Casas de N. Sra. de Cabo feitas por conta do Sírio dos Saloios no ano de 1757 p. acomodação dos mordomos que vierem dar bodo".
A construção da igreja prolongou-se no tempo e recebeu ofertas de obras notáveis. Este conjunto arquitetónico, de traços simples, foi cuidadosamente tratado. Um extenso largo é enquadrado a poente pela igreja, ladeada de duas passagens abobadadas e encimadas por um andar ritmado por janelas de sacada. A fachada nobre do templo, marcada pela sua rigidez, é limitada por duas torres sineiras. Axialmente, abre-se um portal moldurado por pilastras, rematadas por pináculos e encimado por frontão curvo. O portal é ladeado por duas portas, também elas rematadas por frontões curvos. O portal é encimado por três janelas de vão retangular. No frontão triangular da empena, ornado por composições de volutas, abriga-se num nicho a imagem da Virgem.
O interior do templo, de nave única, é ricamente decorado. A nave apresenta as paredes em pedras brancas e negras polidas, provenientes da Arrábida. Aqui destaca-se a tribuna real, erguida no reinado de D. José I; do lado contrário, estão três pinturas barrocas representando o Nascimento de Jesus, a Apresentação do Menino no Templo e a Adoração dos Magos. Superiormente, mostram-se mais seis tribunas, intercaladas com telas setecentistas que versam episódios de Nossa Senhora. De notável interesse são igualmente os retábulos barrocos das capelas laterais, que ostentam boas imagens setecentistas, como a do Senhor Jesus do Bonfim e a de S. Pedro. Cobre a nave magnífica abóbada pintada com frescos por Lourenço da Cunha (1740), mostrando pinturas arquitetónicas em ilusórias perspetivas.
Na capela-mor guarda-se a velha imagem de Nª. Srª. do Cabo, protegida por maquineta em prata dourada posta no trono do retábulo.
Este templo possui ainda dois quadros atribuídos ao conceituado pintor de Quinhentos conhecido por Mestre da Lourinhã - uma tábua representando Sto. António e outra Santiago Menor.
Como referenciar: Santuário de N. Sra. do Cabo Espichel in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-01-16 09:57:37]. Disponível na Internet: