São Roque do Pico

Aspetos Geográficos
Vila e sede de concelho, São Roque do Pico localiza-se na Região Autónoma dos Açores (NUT II e NUT III), na ilha do Pico, ilha pertencente ao grupo central do arquipélago dos Açores. O concelho é limitado a sul pelo concelho de Lajes do Pico e a oeste por Madalena, ocupando uma superfície de 144,3 km2, distribuída por cinco freguesias: Prainha; Santa Luzia; Santo Amaro; Santo António e São Roque do Pico.
Em 2005 o concelho apresentava 3605 habitantes. O clima nesta região é ameno e húmido, com temperaturas médias que oscilam entre os 14 ºC e os 22 ºC, e com uma precipitação regular ao longo do ano, responsável pela fertilidade dos solos e pela existência de alguns recursos hídricos, de que são exemplo as ribeiras das Terças, de Dentro e do Mistério. O relevo é caracterizado por basaltos e materiais de projeção. É possível encontrar as seguintes formações geológicas: ilhéu Escamirro, ilhéu Pesqueiro Novo Lomba (861 m), Corre Água (819 m), Chã Verde (856 m), Landroal (887 m), Ponta Rosa e Ponta da Batoca.

História e Monumentos
São Roque do Pico foi a segunda vila a surgir na ilha do Pico, em 1542, depois de Lajes do Pico. A população do concelho, tal como em toda a ilha, dedicava-se essencialmente à cultura da vinha e à pesca. As erupções vulcânicas no século XVIII tornaram o solo muito fértil, o que resultou na produção de um vinho chamado verdelho, que era muito apreciado e exportado para a América e para a Europa, chegando a países longínquos, como a Rússia. No entanto, no século XIX, a doença das vinhas - o oídio - devastou as culturas da vinha, cuja recuperação está a ocorrer lentamente e com base em novas castas. A atividade baleeira foi também muito importante no concelho, existindo ainda atualmente as instalações de uma das cinco fábricas de derivados de baleia, transformadas no Museu Industrial da Baleia.
Do património arquitetónico existente no concelho destacam-se a igrejas paroquial (reedificada em 1776) e as igrejas de São Miguel Arcanjo, de Nossa Senhora das Dores e de São Pedro de Alcântara (século XVI).

Tradições, Lendas e Curiosidades
A atividade cultural no concelho é marcada pelas festas do Espírito Santo. Estas festas remontam aos primeiros colonos, que assim pediam proteção contra os desastres naturais. O ritual inclui a coroação de uma criança, que usa o cetro e uma placa de prata, símbolos do Espírito Santo, tendo lugar uma grande festa no sétimo domingo depois da Páscoa.
No artesanato, destacam-se as rendas de croché com motivos tradicionais e modernos, os chapéus de palha, as esteiras de junco e várias peças esculpidas em dente de cachalote, que representam veleiros, cenas de caça às baleias e sereias.
Ainda no aspeto cultural, é de referir o Museu Industrial da Baleia, que está sediado numa antiga fábrica de derivados de baleia. Esta fábrica foi encerrada em 1981 devido às restrições impostas à pesca da baleia, mas foi preservada como memória da era industrial. As baleias eram aqui preparadas, extraindo-se o óleo, dentes e ambergris, sendo este último usado em perfumaria.

Economia
Em São Roque do Pico, o setor primário é o mais importante da economia do concelho. A área agrícola constitui 43,7% da área do concelho. O cultivo é praticado em pequenas explorações, destacando-se as culturas forrageiras, as culturas permanentes de vinha, de batata e de citrinos, as culturas temporárias de cereais para grão, os prados, as pastagens permanentes e os prados temporários.
No que respeita à pecuária, os bovinos e os suínos constituem as principais espécies de criação de gado, havendo também lugar para a criação de aves.
A região apresenta uma razoável densidade florestal - de 38,1% -, que corresponde a uma área de 152 ha, salientando-se os cedros, os zimbros e os loureiros, como as espécies mais abundantes.
O setor terciário está dedicado à atividade turística. As principais atividades e atrações turísticas que se podem encontrar por toda a ilha consistem na observação das baleias, no mergulho, nos banhos nas piscinas naturais, na caça, no montanhismo - com destaque para a escalada da montanha mais alta de Portugal, o Pico -, na espeleologia, nos passeios panorâmicos e nas caminhadas.
Como referenciar: São Roque do Pico in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-10-22 04:40:27]. Disponível na Internet: