Saque de Constantinopla

A cidade de Constantinopla (atual Istambul), sede do Império Romano do Oriente, sofreu inúmeros cercos ao longo da Idade Média. Um dos mais importantes foi o que se registou em 1203 e 1204, no âmbito da quarta cruzada. Nos princípios desse século XIII, começaram na Europa os preparativos para esta expedição. Os cruzados reuniram-se em Veneza e, daí, em navios da Senhoria, rumaram para Oriente. Consideram alguns historiadores que por detrás desta expedição estavam, acima de tudo, os interesses venezianos, uma vez que nesta altura se registavam fortes rivalidades entre Veneza e Bizâncio. Deste modo, aproveitaram a presença dos cruzados para abater esta cidade, uma das suas principais rivais comerciais. Aliás, ao que parece, o objetivo dos guerreiros era Jerusalém; contudo, instigados pelos seus anfitriões e seduzidos pelos proventos do saque que lhes caberia, acabam por rumar a Constantinopla. Em 1203 encontram-se junto dos muros da cidade que tomam e pilham de imediato, colocando no trono o imperador Isaac, o Anjo, e o seu filho Alexis; no entanto, pouco depois, há uma revolução que os derruba e faz chegar ao poder Murzulfle. Por pouco tempo. Os cruzados voltam à carga e retomam a cidade no assalto de 1204. Constantinopla é então sujeita a um saque terrível, acompanhado pela chacina de um grande número de habitantes. Foram saqueadas as igrejas e destruídas muitas obras de arte. Entre muçulmanos e cristãos, poucos escaparam às depredações dos "soldados do Senhor". Na sequência desta conquista, os cruzados, que se apoderaram de uma grande parte do território circundante, fundaram o Império Latino de Constantinopla, elegendo o imperador Balduíno, conde da Flandres. Veneza foi igualmente bem recompensada; apossou-se das principais ilhas e portos e fortificou uma série de importantes cidades. Bizâncio conservou uma pequena parte da península balcânica e alguns domínios da Ásia Menor. Este assalto a Constantinopla foi imortalizado por Delacroix no seu quadro A entrada dos cruzados em Constantinopla, guardado no museu do Louvre.
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