Sé Catedral de Angra do Heroísmo

Elevada por decreto papal à condição de diocese, Angra do Heroísmo vê a sua Sé Catedral edificada, a partir de 1570, sobre as ruínas da quatrocentista Igreja de S. Salvador. Da igreja gótica inicial subsistem alguns elementos, embora bastante diluídos na ulterior reforma maneirista da catedral. Destruída pelos violentos sismos e incêndio ocorridos na década de oitenta do século XX, a Sé de Angra foi reconstruída de acordo com a traça maneirista do século XVI.
A fachada é marcada pelas altas torres de dois andares que albergam os sinos - o andar inferior, de quatro olhais para os sinos grandes, e o superior, de doze olhais para os menores. Os pisos e remates das torres são sublinhados por cornijas ressaltadas, terminadas superiormente por pináculos e altos coruchéus piramidais, forrados por azulejos. As duas torres sineiras estão ligadas por frontão alteado, com relógio central, sendo suportado por aletas e sobrepujado por campanário com cruz de ferro.
Três arcos de volta perfeita, suportados por pilares duplos, dão acesso ao nártex que antecede a porta principal. A fachada do pórtico é rasgada por um jogo de janelas e frestas horizontais, que iluminam o coro alto e os andares inferiores das torres. As três naves e o coro do nártex apresentam cobertura em madeira. As oito capelas laterais contêm apreciáveis obras de arte maneiristas e barrocas.
Na Capela do S. Sacramento está patente um belo frontal de prata do século XVII, preenchido com símbolos eucarísticos e cenas da Paixão de Cristo, envolto por uma profusão de ornatos vegetalistas e zoomórficos.
A capela-mor é coberta por abóbada de caixotões, apoiando-se na forte cornija do entablamento que assenta em seis colunas jónicas, marcando o deambulatório da cabeceira. No centro do arco triunfal estão patentes as armas do cardeal D. Henrique, o patrocinador desta catedral açoriana.
Na sacristia encontram-se magníficos arcazes e uma mesa de jacarandá com embutidos de mármore, assim como outro mobiliário e alfaias de culto em prata. A catedral alberga ainda várias pinturas maneiristas, azulejaria portuguesa do século XVII, escultura seiscentista da denominada "Escola dos Mestres da Sé de Angra", uma galeria de retratos dos bispos e um órgão da 2.a metade do século XVIII, oferecido pela rainha D. Maria.
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