Sé Catedral de Aveiro

Em finais do século XV, o bispo de Coimbra D. Jorge de Almeida fez a sagração da igreja de Aveiro dedicada a Nossa Senhora do Pranto. Posteriormente, passaria a ser dedicada a Nossa Senhora da Piedade, depois a Nossa Senhora da Misericórdia e, finalmente, no segundo quartel do século XIX, após extinção das ordens religiosas e para agradar à rainha D. Maria II, cujo nome era Maria da Glória, passaria a ter esta igreja invocação a Nossa Senhora da Glória - hoje Sé Catedral da diocese de Aveiro.
Desde a criação da diocese em 1774, pelo papa Clemente XIV, e até 1826, a Sé funcionou na Igreja da Misericórdia. Daqui foi transferida para a Igreja de S. Bernardino até 1882, altura em que a Santa Sé suprimiu várias dioceses, entre elas a de Aveiro. É só em 1938, com Pio XI, que Aveiro se torna novamente sede de bispado, vindo a funcionar na antiga igreja do Convento de S. Domingos, que, após destruição pelas chamas em 1843, beneficiou de recente remodelação. O responsável por estas obras foi o arquiteto do Porto Abrunhosa de Brito.
A fachada, de traços barrocos, é resultado das intervenções do início de Setecentos. O alçado principal é dividido em três corpos por pilastras. No corpo central abre-se o portal, enquadrado por dois pares de colunas torsas e sobrepujado por nicho e frontão curvo, animado por rica ornamentação, que alberga as imagens da Fé, Esperança e Caridade. Por cima do portal rasga-se um óculo elipsoidal. O espaço interior do templo apresenta-se agora com a cabeceira transformada e o transepto como braços de uma cruz de Tau. Aqui encontramos um magnífico cadeiral do século XVII que encerra, no espaldar, pinturas de santos dominicanos. Na nave encontram-se os elegantes púlpitos com balaustradas de madeira, um seiscentista e o outro uma cópia desse. Para a plasticidade da nave concorrem, em grande medida, os excelentes azulejos do século XVII.
As capelas laterais possuem variadas obras interessantes: a Capela do Santíssimo, do século XVI, com abóbada de pedra apainelada; a da Visitação, que guarda do século XVI, da renascença coimbrã, excelente retábulo e uma escultura; também do século XVI é a Capela do Senhor dos Passos, com magnífico retábulo maneirista em talha, com escultura de Nossa Senhora do Rosário filiada na mesma corrente estilística.
Na capela-mor, a cúpula é originária de uma capela lateral; o altar-mor, do século XVIII, em talha dourada e policroma, foi trazido da já demolida Igreja de Vera Cruz.
Nos corpos laterais abrem-se janelas altas, de vão retangular e pequena largura. O remate da fachada é feito por frontão curvilíneo, ornado de aletas e coroado por uma cruz. As pilastras são terminadas por volumosos pináculos.
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