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Sé Catedral de Braga
Possuindo um estatuto de primeiro plano desde a ocupação romana, Bracara Augusta foi sede de bispado desde os inícios do século V (mais tarde elevada à categoria de arcebispado), de acordo com documentos que comprovam a participação de D. Paterno no Concílio de Toledo, realizado no ano de 400.
Ao longo do período suevo e visigótico, a Sé de Braga adquiriu maior protagonismo e seria já uma construção de grande dignidade e beleza, mas seria arrasada pela ocupação árabe em 716. Após o domínio muçulmano, o templo primacial de Braga ergueu-se novamente, a partir de 1070, arrastando-se as suas obras até ao reinado de D. Afonso Henriques. A planta inicial era de grandes dimensões e compreendia cinco naves. Foi reduzida no século XII para um plano em cruz latina e com três naves, transepto e cabeceira tripartida, mantendo a monumentalidade e harmonia construtiva. Contudo, renovações sucessivas nos séculos seguintes conferiram-lhe um conjunto diversificado de estilos artísticos.
A grandiosa frontaria foi objeto de remodelação em 1727, pela mão do arquiteto Manuel Fernandes da Silva, com exceção do andar térreo, que mantém o decorado portal românico de dupla arquivolta, envolto por arco gótico com as armas de D. Diogo de Sousa. Igualmente gótica é a bela galilé tripartida, coberta por abóbada artesoada, tendo o arco axial de volta perfeita e os laterais desenhando um arco ogival contornado por delicado rendilhado flamejante. Os portais da galilé são encerrados por grades em bronze. No meio do arco central insere-se a escultura do Anjo da Guarda empunhando uma espada flamejante e o escudo da cidade de Braga. Os contrafortes da galilé são ladeados por baldaquinos flamejantes que abrigam imagens de S. Pedro, S. Paulo, S. Pedro de Rates, S. Martinho de Dume, S. Frutuoso e S. Geraldo. Na parte alta sobressaem as duas torres sineiras e o frontão curvo interrompido e sobrepujado por cruz latina, onde se insere um nicho com escultura da Virgem Maria.
Na fachada meridional rasga-se a românica Porta do Sol, de arco de volta perfeita e ornamentada com formas geométricas, tendo ainda o tímpano preenchido por cruz vazada envolto por laçarias. Nesta fachada corre uma cornija com modilhões românicos historiados.
A cabeceira poligonal foi renovada no tempo de D. Manuel I e arquitetada por João de Castilho durante a primeira década dos século XVI. Nela se rasgam janelas ogivais, botaréus cogulhados e platibanda rendilhada. Sob a janela desenha-se um flamejante baldaquino abrigando a escultura de N. S. do Leite, atribuída ao escultor francês Nicolau Chanterene, sendo ladeada pelos escudos de D. Manuel I e do arcebispo D. Diogo de Sousa.
Na face norte destaca-se a Capela da Glória, obra ogival do século XIV, com sóbria frontaria de janelas geminadas e torre coroada por ameias.
A sólida e imponente atmosfera românica marca o interior do templo. As três naves são divididas em seis tramos por arcos de volta perfeita. A cabeceira é formada por ábside e quatro absidíolos, sendo o transepto e a capela-mor separados por arco de triunfo ogival. Obra do gótico final é o esplendoroso frontal de altar em calcário branco, fragmento que subsistiu do antigo retábulo-mor, mutilado pelas campanhas do século XVIII. De grande efeito estético é a cobertura da capela-mor, que contém a primeira abóbada de nervuras realizada em solo nacional.
Na face direita da entrada localiza-se o arcossólio com a arca tumular do infante D. Afonso, filho primogénito de D. João I, esculpida com motivos fitomórficos e zoomórficos, com o seu respetivo jacente. Próximo encontra-se a bela pia batismal prismática, obra manuelina em calcário branco de Ançã.
A parte superior da entrada é dominada pela estrutura de talha barroca setecentista do coro alto. Aqui sobressai a ornamentada e dinâmica estrutura decorativa do cadeiral, em pau preto e em madeira de castanho, complexa composição de concheados e túrgidos elementos do barroco joanino, realizada entre 1728 e 1739. Os órgãos e respetivos varandins barrocos, exuberantes e sofisticados, ocupam parte substancial das paredes do coro.
Através do austero e sóbrio claustro granítico primacial, começado no século XVIII e concluído no seguinte, acede-se ao Museu de Arte Sacra, dependências do piso superior da Catedral e que guardam alguns dos mais belos tesouros da arte nacional, com importante acervo de ourivesaria e joalharia, escultura sagrada, paramentos e muitas outras alfaias de culto.
Fronteira à escadaria do Museu encontra-se a Capela dos Reis, construção gótica de Trezentos abrigando os túmulos com as estátuas jacentes dos condes D. Henrique e D. Teresa.
Das diversas e notáveis capelas e anexos catedralícios, destacamos no pátio, com acesso pela Capela de S. Geraldo, a Capela da Glória, obra gótica datada de 1322 e patrocinada pelo avô de D. Nuno Álvares Pereira, o arcebispo D. Gonçalo Pereira. O seu interior é soberbo e revela pinturas parietais a fresco da arte gótico-mudéjar. No centro repousa, sobre seis leões, uma arca tumular do século XIV, obra de grande qualidade plástica e realizada pelo escultor mestre Pero. Elegante e ritmada por edículas góticas, onde se inserem pequenas esculturas sagradas, é uma notável obra da tumulária gótica nacional. O seu glorioso jacente é obra do escultor Telo Garcia.
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