Sé Catedral de Viseu

Embora remonte ao século VI, a diocese de Viseu, após atribulada existência, só volta a eleger bispo próprio em 1147, com D. Afonso Henriques. A Sé foi erguida no mesmo sítio da anterior, de que nada se sabe, sobre fundações romanas. O carácter inicial de igreja-fortaleza é ainda mantido nos volumosos muros e ameias, apesar dos restauros e acrescentos sofridos, que transformaram a catedral medieval numa concentração de diversas correntes estilísticas.
A imponente Sé ergue-se num largo enquadrado pelo Paço Episcopal, pelo Seminário, pela Igreja da Misericórdia e por um pano de muralha, encimado por alpendre sustentado por colunata, conhecido pelo "Passeio dos Cónegos".
A fachada da Sé, dividida em três corpos, é delimitada por duas robustas torres sineiras, rematadas por cúpulas encimadas por lanternins do século XVIII, circundadas por balaustrada. Uma das torres é de construção medieval e a outra foi reconstruída na centúria de Setecentos. O corpo central desenvolve-se em três andares, onde se distribuem seis nichos que albergam esculturas em pedra: no eixo vertical, N. Sra. da Conceição e S. Teotónio, padroeiro da Sé viseense; lateralmente, os quatro Evangelistas. Este corpo é rematado por frontão triangular encimado por uma cruz.
O portal abre-se em arco abatido. O pano central é da autoria de João Moreno, arquiteto oriundo de Salamanca, e foi levantado no século XVII no lugar de um outro, manuelino, que ruíra.
O surpreendente interior da Sé, dos inícios do gótico, apresenta-se dividido em três naves, sustentadas por robustos pilares, que contêm doze colunas adossadas. Daqui arrancam as nervuras das ogivas que apoiam a cobertura do século XVI, unificando todo o espaço interior. Os fechos das ogivas são decorados por grandes rosetas em calcário e por pedras de armas, sendo uma delas datada de 1513. Os liernes desenham cordoamento atado em nós. Esta extraordinária articulação arquitetónica deve-se, possivelmente, ao arquiteto João de Castilho.
A capela-mor, do século XVII, é da autoria de frei João Torriano, apresentando abóbada semicircular pintada a fresco. O soberbo retábulo barroco de 1731 saiu do risco de Santos Pacheco, sendo o trabalho de talha da autoria do mestre entalhador Francisco Machado. O retábulo ocupa o lugar do anterior, quinhentista, onde se encontravam as tábuas pintadas por Grão Vasco, hoje expostas no museu que ostenta o seu nome. Sobre o trono do retábulo encontra-se uma imagem de N. Sra. da Assunção. Ainda na ousia, destaca-se o cadeiral de madeira exótica, contrastando com ornamentos de talha dourada.
Na sacristia, as paredes são forradas por belos azulejos policromos (brancos, amarelos e azuis) e cobertas por teto pintado. É de salientar, também, o arcaz almofadado com excelentes guarnições metálicas.
O elegante claustro, de linhas clássicas, constituído por arcaria sustentada por colunas jónicas, foi mandado construir pelo cardeal D. Miguel da Silva e, no século XVIII, foi acrescido de um andar superior, balaustrado e ritmado por colunas toscanas. Para além de uma elegante porta formada por seis arquivoltas ogivais, abrem-se para as galerias do piso térreo do claustro magníficas capelas e altares. Destas, destacamos a Capela dos Santos Brancos, com magnífico retábulo quinhentista em pedra de Ançã, obra de oficina de Coimbra, e uma Pietà saída das mãos do grande mestre francês João de Ruão. Também é de realçar a capela quatrocentista do Calvário, pela sua bonita cobertura em abóbada de arestas e ainda pelos seus capitéis historiados e com motivos fitomórficos.
Duas paredes das galerias do claustro são revestidas por painéis de azulejos que versam sobre episódios da vida de S. Teotónio, originalmente colocados nas naves da Sé. As salas capitulares, do segundo piso do claustro, ostentam magníficos tetos mudéjares apainelados e azulejos do século XVIII (1720), de Manuel da Silva. Este espaço é hoje Museu de Arte Sacra, sendo o seu acervo constituído pelo tesouro catedralício.
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