semiologia

Do grego semêion (= signo) + logia (= estudo), semiologia é a ciência ou discurso que estuda os sistemas de signos. O termo semiologia nascido no Cours de Linguistique Général (1915) de Ferdinand de Saussure foi utilizado na Europa durante algum tempo, ao passo que o mundo anglo-saxónico preferiu a designação de semiotics (semiótica) a partir de Charles Sanders Peirce (1931).
F. Saussure, no seu Cours, postulava a existência de uma teoria geral dos signos, a semiologia, da qual a linguística seria uma parte privilegiada. Uma casa, um automóvel, uma peça de roupa comunicam um significado social, cultural, constituindo por isso objetos semióticos. A semiologia referia-se assim a um vasto campo que, além da linguística, incluía todos os outros sistemas de signos ou códigos que constituem o mundo em que vivemos: os códigos paralinguísticos (sistemas que reforçam e auxiliam a linguagem verbal, como os códigos cinésicos - gestuais, proxémicos- relacionados com a gestão do espaço entre emissor e recetor, prosódicos - entoacionais), os códigos epistemológicos (divididos em códigos científicos e artes de adivinhação), os códigos estéticos (de onde surgiram estudos sobre a semiótica da narrativa e da literatura, a semiótica dos mitos, semiótica do cinema, etc.) e os códigos sociais (interpretação dos signos de identidade, signos de cortesia, códigos associados à moda e ao jogo), entre outros.
Para Saussure, a língua é um sistema de signos que exprimem ideias no seio da vida social. Na sequência da sua reflexão sobre a linguagem e do carácter central da linguística no contexto geral da semiologia, Saussure formula uma teoria geral do signo linguístico. Define signo por uma entidade psíquica de duas faces, composta por um significante ou imagem acústica e por um significado ou imagem mental, sendo as características principais do signo linguístico a arbitrariedade e a linearidade. A arbitrariedade é a propriedade mais importante e tem a ver com a relação convencional e imotivada que existe entre o significante - por exemplo /mar/ - e o significado mental que lhe está associado, ou seja, não existe nenhuma razão ou motivação, a não ser convencional e coletiva, para que à palavra <mar> seja associado um significado correspondente à massa de água salgada que rodeia os continentes. Isto explica também que cada língua utilize um significante diferente para designar o conceito de mar (ex: ing. sea). A relação entre significante e significado diz-se portanto arbitrária. E. Benveniste colocou em questão esta definição de arbitrariedade: o que é arbitrário é a relação entre o signo (significante + significado) com o seu referente no real. Por isso, a relação entre significante e significado não é arbitrária, mas obrigatória, uma vez que para o falante de uma determinada língua, uma imagem mental está imediatamente associada à uma imagem acústica.
L. Hjelmslev é outro nome na tradição europeia da semiologia que contribuiu para a teoria geral do signo. Para Hjelmslev cada plano do signo, o plano da expressão (=significante) e o plano do conteúdo (=significado) subdividem-se em dois estratos: a forma e a substância. Temos assim uma forma e uma substância da expressão e uma forma e uma substância do conteúdo. A forma pode ser descrita pela linguística, enquanto que a substância é o conjunto de premissas extralinguísticas que escapam à descrição linguística.

Depois de Saussure a teoria do signo enriqueceu-se com André Martinet com o princípio da dupla articulação da linguagem: os signos linguísticos possuem unidades significativas, os monemas, que constituem a primeira articulação, e unidades que participam na forma, os fonemas, que constituem a segunda articulação.

Na mesma altura, o americano C. Peirce proclamava uma teoria geral dos signos a que chamou semiótica. O projeto semiótico de Peirce consistia na definição dos quadros lógicos de representação da experiência e das categorias do pensamento. Saussure acentuou a função social do signo enquanto que Peirce destaca a sua função lógica. Ao contrário de Saussure, cujo projeto semiótico abarcava apenas a linguagem, para Peirce a semiótica abrange a totalidade do conhecimento e insere-se no âmbito de uma filosofia pragmatista. Para Peirce, o signo é uma entidade que estabelece relação entre três dimensões: o seu representamen (algo que está em lugar de outra coisa), o seu objeto e o seu interpretante. C. Morris viria a redefinir estes três elementos constituintes do signo respetivamente por sintáticos, semânticos e pragmáticos.

Roland Barthes continuou a linha de Saussure numa perspetiva mais radical, ao defender que "a linguística não é uma parte, mesmo privilegiada, da ciência geral dos signos, é a semiologia que é uma parte da linguística" (Barthes, R. 1953, Élements de Semiologie), na medida em que todos os sistemas semiológicos se cruzam com a linguagem. E explora quatro grandes rubricas dos seus "Elementos de Semiologia", maioritariamente em torno das clássicas dicotomias apresentadas por Saussure (exceto a dicotomia IV, que tem origem em L. Hjelmslev), que constituem os eixos da reflexão em semiótica linguística: I - Língua/ Fala; II - Significado/ Significante; III - Sintagma e Sistema; IV - Denotação/ Conotação. Devemos também a Barthes uma análise da natureza do signo em confronto com outros elementos semióticos, como o sinal, o índice, o ícone, o símbolo e a alegoria, a partir da revisitação de outras perspetivas terminológicas propostas por outros semiologistas.

Em 1976, Umberto Eco publica o Tratado Geral de Semiótica, obra de referência nos estudos de semiótica em que o autor: i) distingue sistemas de comunicação de processos de comunicação, ii) em que procura introduzir uma teoria do referente no quadro semiótico, iii) em que funde os problemas da semântica e da pragmática num único modelo, iv) em que faz uma crítica da noção de signo e da tipologia de signos existentes, v) e em que discute a questão do iconismo.

Em Portugal, destaca-se o nome de José Herculano de Carvalho, com a sua obra Teoria da Linguagem (Tomo I, 1973), em que dedica capítulos importantes à dimensão semiótica da linguagem e da linguística e mais recentemente os nome de Adriano Duarte Rodrigues, com alguns trabalhos neste campo, como a obra Introdução à Semiótica (2000).
Como referenciar: semiologia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-11 16:44:13]. Disponível na Internet: