Sergei Eisenstein

Realizador e argumentista letónio - também considerado russo por à altura do seu nascimento a sua terra natal pertencer à Rússia -, de seu nome completo Sergei Mikhailovich Eisenstein, nascido a 23 de janeiro de 1898, em Riga, e falecido a 11 de fevereiro de 1948, em Moscovo. Filho de um engenheiro e de uma mulher da burguesia, frequentou uma escola pública de ciências de forma a preparar-se para a escola de engenharia, seguindo os passos do seu pai. Em 1915, mudou-se para Petrogrado para continuar os seus estudos no Instituto de Engenharia Civil.
Depois da revolução de fevereiro de 1917, vendeu os seus primeiros cartoons políticos a diversas revistas de Petrogrado, assinando como Sir Gay, e em 1918 inscreveu-se no Exército Vermelho como voluntário. Na tropa, Eisenstein conseguiu tempo para estudar teatro, filosofia, psicologia e linguística. Encenou e atuou em diversas peças, para as quais desenhou ainda os cenários e o guarda-roupa.
Em 1920, abandonou o exército e ingressou na Academia Geral de Moscovo, onde se juntou ao Teatro dos Trabalhadores Proletkult como desenhador de cenários e de guarda-roupa. Depois de ganhar fama através do seu trabalho inovador na peça O Mexicano, adaptada de uma história de Jack London, Eisenstein inscreveu-se na oficina de teatro de Meyerhold, na altura o seu ídolo. Stachka (A Greve, 1925) foi a sua primeira longa-metragem, sendo um acontecimento cinematográfico revolucionário e único. O seu segundo filme foi o influente Bronenosets Potyokin (O Couraçado Potemkin, 1925), a história ficcionada de um dos mais trágicos episódios da revolução soviética de 1905. Em 1927, realizou Oktyabr (outubro), um filme em estilo documental sobre as suas ideologias e, em 1929, realizou Staroye i Novoye (A Linha Geral), um filme que mostra as vantagens do trabalho coletivo nas aldeias. Partiu, de seguida, em viagem ao estrangeiro para investigar as novas tecnologias associadas à invenção do cinema sonoro.
O seu primeiro filme sonoro surgiu em 1937 com Bezhin Lug (O Prado de Béjin), onde criou uma tragédia universal a partir da história real de um jovem vigilante comunista que acusa o seu pai e é assassinado em retaliação pelo seu ato. Seguiu-se Alexander Nevsky (1938), um filme de propaganda política acerca de um príncipe russo do século XIII e do sucesso das suas batalhas contra as hordas invasoras alemãs. O filme foi um enorme sucesso na URSS e no estrangeiro, parcialmente devido ao sentimento anti-alemão que se desenvolvia na altura.
Em fevereiro de 1939, foi premiado com a Ordem de Lenine por Alexander Nevsky; contudo, a seguir à assinatura do pacto de não agressão entre a URSS e a Alemanha nazi, Alexander Nevsky foi arquivado. Em 1940, Eisenstein sugeriu que o pacto assinado criava uma base sólida para a cooperação cultural e, nessa altura, foi-lhe pedido que encenasse a ópera de Richard Wagner A Valquíria no Teatro Bolshoi. Em 1941, iniciou a produção de um épico histórico de uma escala ainda maior, um filme em três partes glorificando a personagem mentalmente desequilibrada e assassina de Ivan, um czar russo do século XVI. Ivan Groznyy I (Ivan, O Terrível, Parte I, 1945) foi um enorme sucesso e Eisenstein venceu o Prémio Estaline. Já Ivan Groznyy II: Boyarsky Zagovor (Ivan, O Terrível, Parte II, 1948) dava uma visão diferente do czar: um tirano sanguinário que era o indiscutível predecessor de Estaline. O filme foi proibido e o material filmado da terceira parte da obra foi destruído.
Pouco depois, Eisenstein sofreu um ataque cardíaco, ficando demasiado fraco para continuar a rodagem do terceiro filme da saga. Acabou por falecer em fevereiro de 1948.
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