Serões Honestos. Contos Portugueses

Coletânea de contos, de Cipriano Jardim, com um prefácio doutrinário de Urbano de Castro, em que este crítico se pronuncia contra a função moralizadora da literatura, elogiando, no entanto, a honestidade das narrativas do autor. Trata-se de um conjunto de moralidades, que têm em comum o facto de apresentarem como protagonistas crianças e de focarem questões sociais ligadas à pobreza e aos vícios de educação. Assim, "O realejo" aborda o tema da inversão da fortuna, descrevendo o empobrecimento súbito de uma família; "O homem" trata do problema da mendicidade infantil, contando a história de um rapazinho, vendedor de cautelas, amparo do pai e dos irmãos mais novos, alugados à vizinha pela própria mãe ("Aquilo era apenas o resultado do erro, muito vulgar, muito natural, das educações de Lisboa..."); "A bolsa de prata" constitui uma crítica à hipocrisia social, narrando o caso de uma mulher rica, dona de um asilo de caridade, que se recusa a acolher uma criança que lhe sujou o vestido; "O pai pródigo" conta a história de um homem casado, pai de família, que se sente obrigado pela vaidade a frequentar o Grémio; finalmente, o conto "Os nossos pais" trata do problema do abandono dos velhos.
Como referenciar: Serões Honestos. Contos Portugueses in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-09-21 13:17:09]. Disponível na Internet: