Sertã

Aspetos Geográficos
O concelho de Sertã, do distrito de Castelo Branco, ocupa uma área de 446,6 km2 e abrange 14 freguesias: Cabeçudo, Carvalhal, Castelo, Cernache do Bonjardim, Cumeada, Ermida, Figueiredo, Marmeleiro, Nesperal, Palhais, Pedrógão Pequeno, Sertã, Troviscal e Várzea dos Cavaleiros.
O concelho de Sertã encontra-se limitado a nordeste pelo concelho de Oleiros, a noroeste por Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande que pertencem ao distrito de Leiria; a sudoeste pelo concelho de Ferreira do Zêzere (distrito de Santarém), a sul por Vila de Rei e a sudeste por Proença-a-Nova. O concelho apresentava, em 2005, um total de 16 274 habitantes.
O natural ou habitante de Sertã pode ser denominado sertaginense, sertainho ou sertanense.
Possui um clima mediterrânico, com influências continentais, sendo os verões bastante quentes, com temperaturas que rondam os 30 °C e os invernos consideravelmente frios, registando-se uma elevada amplitude térmica anual.
Os recursos hídricos de maior importância são o rio Zêzere, que nasce na serra da Estrela e é considerado o segundo maior rio que nasce em território português (200 km de percurso), a ribeira de Sertã e a barragem do Cabril, com 136 m de altura, em funcionamento desde 1954.
O edificado estende-se pelas vertentes da serra de Alvéolos (1084 m), ficando bem no alto da referida serra a freguesia de Pedrógão Pequeno. De referir a existência de calhaus de quartzito muito raros, dada a sua formação, designados de rañas.

História e Monumentos
As origens de Sertã poderão estar relacionadas com a proveniência da palavra latina sertago, a qual, por sua vez, estará ligada à provável existência de um aglomerado romano, cujos vestígios foram descobertos recentemente na parte nova da vila.
Desde 1165 até 1174, o concelho da Sertã pertenceu à Ordem dos Templários, passando, por doação direta de D. Afonso Henriques, para a Ordem do Hospital, depois denominada Ordem de Malta e finalmente do Crato.
Em 1513, D. Manuel outorgou-lhe foral.
Em 1655, a vila foi integrada na Casa do Infantado e a maior parte das freguesias pertencia ao Grão-Priorado do Crato.
A nível do património arquitetónico, destaca-se o castelo, que se encontra praticamente em ruínas, a igreja paroquial, que possui três naves com arcaduras góticas e cujo interior é forrado a azulejos, o Colégio das Missões Ultramarinas, do final do século XIII, e a Igreja Matriz.
Destaca-se ainda a ponte da Carvalha, que é uma construção filipina, com cerca de 64 m de comprimento e três arcos de alvenaria, e a ponte da Bouça, de 1928, bastante alta e constituída por seis arcos.

Tradições, Lendas e Curiosidades
As manifestações populares e culturais no concelho são diversas sendo de destacar a festa de Nossa Senhora dos Remédios, realizada a 14 e 15 de agosto, a de Nossa Senhora da Graça, no segundo domingo de outubro, a festa dos Santos Populares, a 13 de junho, a de Nossa Senhora das Preces, no início de setembro, a festa de S. Macário, na quinta-feira da Assunção, a festa de Nossa Senhora das Neves, a 5 de agosto, e a de S. João Batista, realizada a 24 de junho.
No artesanato, são típicos os produtos de cestaria, calçado, latoaria e ferraria.
A designação de Sertã tem várias explicações. Para além da já referida, existe uma lenda que narra que D. Celina, esposa de um nobre lusitano, aquando da morte do marido, na luta contra Sertório, enfrentou os inimigos com uma sertã cheia de azeite a ferver, fazendo-os recuar do castelo, onde tinham conseguido entrar. Daí o topónimo de Sertã.
Como naturais do concelho podemos referir José Parada Leitão, um guerreiro considerado um dos célebres bravos do Mindelo, Nuno Álvares Pereira, guerreiro (séculos XIV e XV), conhecido como o Condestável e que ao lado de D. João I teve um papel importante na História de Portugal. O local exato do seu nascimento divide-se entre as freguesias de Cernache do Bonjardim e de Troviscal. E ainda Gonçalo Rodrigues Caldeira, também um guerreiro que se tornou nobre depois da participação na batalha de Aljubarrota.

Economia
No concelho predomina o setor terciário (cerca de 61,7% do total de empresas sediadas no concelho), sendo o de maior importância na vila e sede do concelho.
O setor secundário tem um peso significativo, englobando 33,8% das empresas existentes no concelho, nomeadamente indústrias de exploração florestal, madeiras, confeções, maquinaria agrícola e mármores.
O primário tem pouca importância para a economia concelhia. A área agrícola abrange 3861 hectares, sendo as principais culturas o olival, a horta familiar, os cereais para grão, os prados temporários, as culturas forrageiras e a vinha.
Na pecuária, destaca-se a criação de aves, nomeadamente de galinhas poedeiras e reprodutoras, de caprinos e de suínos.
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