sexismo

Formas de comportamento e ideologias nas quais são atribuídas determinadas disposições e capacidades a indivíduos ou grupos simplesmente por causa do sexo a que pertencem.

Trata-se de uma forma de discriminação, que conduz à subalternização, à marginalização ou mesmo à exclusão de pessoas ou grupos com base no seu sexo. Resulta, no fundo, da tendência para estabelecer estereótipos pretensamente fundamentados na Biologia, reflete a forma como o poder é distribuído e quais os grupos com acesso ao discurso definidor de identidades.
De acordo com os estudos sobre as mulheres, desenvolvidos essencialmente ao longo da segunda metade do século XX, no Ocidente, a mulher encontrou-se, ao longo de séculos, na posição de definida e não de definidora. Sendo assim, ter-se-á desenvolvido um discurso que situa o homem (varão) no plano do ser humano por excelência (o que, em muitas línguas ocidentais, se exprime mesmo na utilização da mesma palavra para homem no sentido masculino do termo e homem enquanto ser humano).

A alteridade da mulher, que Simone de Beauvoir define como "l'autre" por excelência, parecia constituir uma realidade com necessidade de uma explicação suplementar, uma vez que identificá-la como ser humano é insuficiente, senão mesmo menos adequado, no discurso dominante, androcêntrico. O sexismo constitui, assim, no Ocidente, a identificação da mulher com a sua biologia (nomeadamente, com a maternidade), estranha ao "ser humano perfeito" - o varão. O discurso cultural, em todas as suas vertentes, foi assim, na perspetiva das críticas do sexismo, marcado por uma "naturalização" da mulher versus uma "racionalização" do homem.

A identificação da razão com um princípio superior à natureza conduziu à subalternização da mulher, identificada com esta última. Desta identificação surgiram dois padrões de referência à mulher: um deles, claramente o da associação da mulher à "carne", marcada, no discurso religioso e filosófico ocidental, pela identificação da mulher com a imperfeição, o pecado, o mal, o demónio. Porém, a exaltação da maternidade conduz a uma outra forma de sexismo: a idealização da mulher, a transposição do discurso para a eternização do seu papel de mãe. Esta constituiu o álibi para a exclusão da mulher do mundo "real" (Balzac afirmava que a melhor forma de manter a mulher escravizada era exaltá-la, afastando-a da participação na construção da sociedade).

A negação do acesso das mulheres aos direitos essenciais (voto, participação na vida política, acesso aos graus de instrução e às profissões mais elevadas, acesso à propriedade ou à decisão sobre ela, decisão sobre a educação dos filhos) tem sido superada, sendo hoje considerada como algo atentatório aos direitos humanos e à ordem democrática.
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