Sião

O reino do Sião, ao qual os portugueses chegaram entre 1511 e 1513, estendia-se, nesse século, pela costa do Tavai até ao reino de Pegu, constituindo a mais sólida entidade política e territorial da região e, no Sudeste da Ásia, o maior estado habitado por gentios. A sua capital era Ayuthia ou, conforme designado nas crónicas portuguesas, Odiá ou Hudiá.
Pertencia também ao sultanato a cidade de Malaca, tendo Vasco da Gama, na altura da sua conquista, proposto ao sultão siamês um esforço conjunto para a sua tomada, uma vez que a dita cidade já tinha estado sob o domínio do reino do Sião. Porque não houve uma resposta atempada do soberano, aquela acabaria por ficar exclusivamente sob alçada portuguesa.
O contacto com o reino siamês iniciou-se quase imediatamente após a conquista de Malaca por Afonso de Albuquerque, tendo nesta altura o comandante enviado mensageiros aos reinos que eram importantes para a política e para o comércio desta praça indiana. Assim, Duarte Fernandes foi o primeiro mensageiro a chegar ao reino de Ayuthia, em 1511. Transportado por um junco da China, entregou a mensagem de pacificação que transportava e, em troca, foi enviado um outro mensageiro pelo rei do Sião, que por sua vez respondeu favoravelmente, presenteando Albuquerque. Deslocou-se então um outro emissário português a Ayuthia, António de Miranda, com o fim de assegurar um livre-trânsito aos naturais do Sião que desejassem atravessar águas de Malaca, assim como aos que quisessem estabelecer-se nesta cidade, enquanto que o Sião respondeu, abrindo iguais precedentes comerciais a Portugal.
O produto maioritariamente importado do Sião, uma região que dependia essencialmente da agricultura, era o arroz (do qual dependia a subsistência de muitas das praças conquistadas pelos portugueses, como, por exemplo, Malaca), apesar de também se importarem benjoim (uma espécie de resina vendida por elevadas quantidades de dinheiro), pedrarias, almíscar e lacre.
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