Sibila (grega)

Nome de uma sacerdotisa que tinha como principal função transmitir os oráculos de Apolo.Tornou-se também sinónimo de Pitonisa. A sua fama foi tal que o seu nome era também usado como denominação das sacerdotisas de Apolo que se lhe seguiram em vários santuários dedicados àquele deus. O número de sibilas é elevado, não se podendo talvez falar de uma sibila. Por estar votada ao culto de Apolo, muitos locais reivindicavam por isso a presença de uma sibila. Por exemplo, no século I, existiriam dez sibilas, cada uma de cada canto do Mediterrâneo onde existiam Gregos: Ciméria (Quersoneso Táurico), Cumana (de Cumas, na Itália), Délfica (Delfos, a cidade de Apolo), Eritreia (de Éritras, na Lídia), Frígia (Frígia, na Ásia Menor), Helespôntica (do Helesponto, entre a Europa e a Ásia), Líbica (da Líbia, no Norte de África), Pérsica (da Pérsia), Sãmia (da ilha de Samos), Tiburtina (de Tibur, ou Tivoli, junto a Roma). Os mais conhecidos de entre estes foram a Eritreia, a Líbia e Cumas (Sul de Itália). A primeira Sibila teria sido uma filha de um troiano chamado Dárdano e de Neso, filha de Teucro, fundador da dinastia de Ílion (que reinava em Troia). Como tinha o dom de profetizar, tornou-se famosa como adivinha, fazendo com que posteriormente o nome de Sibila fosse dado a todas as profetisas. Estava consagrada ao culto de Apolo, que lhe tinha dado o poder de profetizar. Dava a conhecer os seus oráculos sob a forma de enigmas, os quais escrevia em folhas. Uma outra tradição refere que a sibila original não era troiana, mas antes uma filha de Zeus e de Lâmia, esta uma filha de Poseidon, deus do mar. Os habitantes da Líbia, uma região grega, chamavam-lhe sibila. Esta proferia oráculos num templo naquela região.
Uma outra sibila vivia em Marpessos, perto de Troia, sendo filha de um mortal e de uma ninfa. Nascera antes do começo da guerra de Troia, tendo profetizado que a Tróade (região de Troia) seria devastada por culpa de uma mulher nascida em Esparta, que correspondia a Helena. Esta Sibila viveu quase sempre em Samos, mas esteve também em outras terras, como Delfos ou Delos. Profetizava em cima de uma pedra, que transportava consigo para todo o lado. Esta pedra ficara em Delfos, embora a sibila tenha morrido na Tróade. Mas a mais célebre das sibilas gregas foi a de Éritras, na Líbia, filha de Teodoro e de uma ninfa. Cresceu subitamente momentos depois de vir ao mundo, provavelmente numa gruta sob o monte Córico. Era ainda uma jovem quando os seus pais a consagraram a Apolo. A sibila não o queria mas teve que se sujeitar à decisão paterna. Um dia, terá adivinhado que seria morta com uma flecha de Apolo. Viveu, todavia, nove vidas, cada uma das quais com cento e dez anos.
Esta sibila é identificada muitas vezes com Demofilae, a sibila de Cumas. Apolo apaixonou-se por ela, prometendo-lhe aquilo que ela quisesse em troca do seu amor. A sibila aceitou a oferta e pediu-lhe tantos anos de vida quantos os grãos que fossem precisos para fazer um monte de pó. Havia mil grãos. Infelizmente, esqueceu-se de pedir ao deus a eterna juventude e, tendo recusado o seu amor a Apolo, foi envelhecendo cada vez mais. Finalmente, ficou suspensa dentro de uma garrafa no teto da sua cave, toda encarquilhada, e quando as crianças lhe perguntavam o que é que ela mais queria dizia, simplesmente: "quero morrer".
Como referenciar: Sibila (grega) in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-26 07:58:01]. Disponível na Internet: