Sidney Lumet

Realizador norte-americano, Sidney Wermus Lumet nasceu a 25 de junho de 1924, em Filadélfia. Filho de um ator e de uma bailarina, estreou-se artisticamente aos 4 anos, numa rádio judaica de Nova Iorque. Durante a década da Grande Depressão, foi ator infantil nos palcos da Broadway e chegou mesmo ao cinema com um pequeno papel no drama One Third of a Nation (1939). Em 1947, fundou um grupo teatral formado por ex-alunos do Ator's Studio de Lee Strasberg, entre os quais se contavam Yul Brynner. Em 1950, foi convidado para entrar para os quadros da estação televisiva CBS, tendo trabalhado como realizador de séries e teledramáticos. Impressionado pelo seu trabalho, Henry Fonda convidou-o a dirigir Twelve Angry Men (Doze Homens em Fúria, 1957), um drama de tribunal que se tornaria um filme de culto e valeu a Lumet a sua primeira nomeação para o Óscar de Melhor Realizador. A história de 12 jurados que deliberam sobre o grau de culpa de um jovem que é acusado de ter assassinado o seu pai, em que só um deles (Fonda) acredita na sua inocência, espantou os cinéfilos pela sobriedade da realização e pelo clima de tensão que o argumento proporciona. A brilhante direção de atores feita por Lumet verificou-se na adaptação da peça de Eugene O'Neill Long Day's Journey Into Night (Longa Viagem Para a Noite, 1962): protagonizado por Katherine Hepburn, Ralph Richardson e Jason Robards, o filme não conseguiu disfarçar o gosto de Lumet pela teatralidade cinematográfica. Depois de filmes como The Pawnbroker (O Agiota, 1965) dominado por uma portentosa interpretação de Rod Steiger e The Deadly Affair (Duas Plateias Para a Morte, 1967), Lumet assinou um dos títulos mais emblemáticos da sua carreira: Serpico (1973), um policial protagonizado por Al Pacino sobre um polícia nova-iorquino obcecado em denunciar o clima de corrupção que se vive na sua esquadra. Depois de adaptar à tela eficazmente Agatha Christie em Murder on the Orient Express (Crime no Expresso do Oriente, 1974), fez novamente parceria com Al Pacino em Dog Day Afternoon (Um Dia de Cão, 1975) um história baseada num facto verídico sobre um jovem homossexual que assalta um banco e faz reféns com o objetivo de angariar fundos para uma operação de mudança de sexo do seu namorado. O êxito do filme contribuiu-lhe para uma nomeação para o Óscar de Melhor Realizador, feito que repetiu no ano seguinte com Network (Escândalo na TV, 1976), uma crónica descritiva da falta de ética no mundo da televisão. Depois de sucessos como Equus (1977), que permitiu a Richard Burton uma extraordinária interpretação e Prince of the City (O Príncipe da Cidade, 1981), fez uma crítica acérrima ao mundo da advocacia com The Veredict (O Veredito, 1982), granjeando a quarta nomeação para o Óscar e possibilitando boas interpretações a Paul Newman e James Mason. A partir daí, enveredou numa onda de fracassos de bilheteira que englobam títulos como Deathtrap (Armadilha Mortal, 1982), Power (As Chaves do Poder, 1986), Running on Empty (Fuga Sem Fim, 1986), Family Business (Negócio de Família, 1989) e Gloria (1999).
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