significante

O significante pode ser perspetivado em função das suas dimensões física (articulatória, acústica e percetiva) e psicológica (abstração das características importantes da dimensão física independentemente da sua variabilidade, representação escrita). O significante engloba os planos fonético, morfológico e sintático do signo, apenas nas suas dimensões formais, não significativas. O significante estabelece com o significado, a outra face do signo linguístico, uma relação de arbitrariedade e de não motivação, explicando a diversidade linguística.
O significante forma, juntamente com o significado, o signo linguístico, segundo a definição proposta por Ferdinand de Saussure no seu Cours de Linguistique Général (1915).


O significante é linear, isto é, a realização dos seus segmentos fónicos desenrola-se no tempo de forma sequencial e não sobreponível (os fones da palavra ['sapu] = <sapo> só podem aparecer uns a seguir aos outros). O significante designa a parte material do signo e pode ser perspetivado em função das suas dimensões física e psicológica. Quanto à sua dimensão física, o significante manifesta-se pela sua realização fonética (acústica, articulatória e percetiva), enquanto conjunto de movimentos articulatórios realizados pelos órgãos do aparelho fonador humano, movimentos esses que produzem vibrações acústicas que por sua vez são captadas sob a forma de sensações auditivas pelo ouvido humano. Esta dimensão física do significante comporta assim o plano segmental ou fonético da cadeia fónica (sequência de fones que compõem as palavras, ex: ['patu] = <pato>) e o plano prosódico ou suprassegmental que se associa ao segmental acrescentando-lhe os parâmetros da entoação, da duração e da intensidade. Este é o significante em toda a sua materialidade, como objeto sonoro, momentâneo, impossível de ser realizado exatamente da mesma forma numa segunda vez, suscetível de ser analisado em laboratório por programas de análise de fala.
Quanto à sua dimensão psicológica, o significante apresenta-se como uma imagem audio-articulatória dos movimentos produzidos e identificados para realizar os sons refletidos na mente dos falantes. A esta imagem pode associar-se uma imagem visual gráfica, a representação escrita da palavra ou do segmento em causa, além dos movimentos físicos subjacentes à escrita desse significante. A imagem psíquica do significante não reproduz, porém, o objeto físico do significante em toda a sua possível variação (sotaque, timbre, estado de espírito associado). O objeto físico não é percebido pelo recetor exatamente como é realizado, mas sim como representante do modelo abstrato que nele se atualiza. Isto porque mesmo que o mesmo falante repita a mesma palavra dez vezes, haverá sempre um parâmetro acústico diferente de realização para realização, nem que seja a duração total ou parcial da palavra, a intensidade com que é dita, a entoação com que é pronunciada, a emoção que lhe estiver associada, etc. Do mesmo modo, reconhecemos vários tipos de realizações gráficas, por exemplo da letra <a>, consoante o tipo de fonte que é utilizado (Times New Roman, Arial, Courier, etc), independentemente das variações da letra manuscrita, dos tipos de suporte e dos tipos de caneta que se utilizar, etc. Em suma, o significante engloba os planos fonético, morfológico e sintático do signo, apenas nas suas dimensões formais, não significativas.
O significante estabelece com o significado, a outra face do signo linguístico, uma relação de arbitrariedade e de não motivação, decorrente da convencionalidade coletiva que conduziu à associação do significante <janela> ao significado real que o objeto possui na mente dos falantes. Esta arbitrariedade explica a diversidade linguística patente nos significantes do inglês <window> e do francês <fenêtre>, correspondentes ao significante português <janela>.
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