sílaba

1. Ortografia: Unidade constituída por uma determinada sequência de vogais e de consoantes em que as vogais constituem o núcleo da sílaba em torno do qual se agrupam as consoantes. A noção de sílaba, em ortografia, resulta de uma convenção de organização de grafemas que alternam entre consoantes e vogais, convenção essa que dita, por exemplo, as regras de translineação, mas que não acompanha a evolução fonológica da permanente reestruturação silábica das línguas. Assim, a divisão silábica, segundo o critério ortográfico, é um tipo de informação que se pode encontrar num dicionário, mas que terá diferentes interpretações de acordo com a perceção linguística do locutor ou caso o locutor seja analfabeto ou falante não nativo.
Tradicionalmente, e à luz deste enquadramento, as sílabas podem ser abertas, se terminarem por vogal (ex: <ca-pa>, <le-var>), ou fechadas, se terminarem por consoante gráfica (ex: <cas-pa>, <al-ma>, <len-to>).

2. Fonologia: A sílaba é uma unidade fonética, fonológica, percetiva e psico-cognitiva superior ao fonema e inferior ao morfema, que corresponde a outro nível de análise. A sílaba é um segmento constituído por um núcleo, geralmente uma vogal, à volta do qual se agrupam consoantes, segundo determinadas combinações que variam de língua para língua. Em algumas línguas o núcleo da sílaba pode mesmo ser uma consoante (como em checo - <krk>), papel geralmente atribuído às consoantes laterais, na medida em que é o segmento mais vozeado da sílaba. Estudos recentes em fonologia do português, desenvolvidos por Maria João Freitas (1997), Maria Helena M. Mateus e Ernesto Andrade (1998) e Mateus et al. (2003), assentes na teoria autossegmental (que preconiza que cada constituinte fonológico ocupe um nível autónomo em inter-relação com os outros níveis hierárquicos de constituintes) vêm mostrar que a sílaba apresenta a seguinte estrutura, exemplificada pela palavra <so-nhar>:



Assim, numa palavra as vogais constituem o núcleo da rima de cada sílaba. A rima pode ser constituída ou por um núcleo, como na primeira sílaba, ou pelo núcleo e pela coda, como na segunda sílaba. A coda é a consoante que termina a rima enquanto que o ataque é a consonate que incia uma sílaba.
Estudos em fonética percetiva e acústica têm provado que vários fenómenos fonéticos típicos da oralidade, como a supressão ou a adição de fones, têm provocado importantes reestruturações silábicas na estrutura da língua portuguesa, o que leva a uma reavaliação dos tradicionais agrupamentos silábicos (ex: a supressão de [E] átono <b(e)-le-za> transforma uma palavra de três sílabas numa palavra de duas sílabas com outra combinação de fones: <ble-za>).
Ainda num plano fonológico, as sílabas são portadoras de acento, que em português se traduz numa alteração de intensidade. As sílabas alternam assim entre tónicas (quando sobressaem pela maior intensidade e energia numa palavra - <arre-ca-dar>) e átonas (quando são produzidas com menos intensidade - <arre-ca-dar>).
Como referenciar: sílaba in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-07-10 05:10:18]. Disponível na Internet: