Silves

Aspetos Geográficos
O concelho Silves, do distrito de Faro, localiza-se no Algarve (NUT II e NUT III). É limitado a oeste pelo concelho de Portimão, a este por Loulé, a noroeste por Monchique, a sul por Lagoa, Albufeira e o oceano Atlântico; e a norte por Odemira, Ourique e Almodôvar, pertencentes ao distrito de Beja. Ocupa uma superfície de 679,3 km2, distribuída por oito freguesias: Alcantarilha, Algoz, Armação de Pera, Pera, São Bartolomeu de Messines, São Marcos da Serra, Silves e Tunes.
Em 2005, Silves apresentava 34 402 habitantes. O natural ou habitante de Silves denomina-se silviense.
Apresenta um clima temperado mediterrânico, com verões quentes e secos e invernos suaves; a precipitação distribui-se de forma irregular ao longo do ano, concentrando-se nos meses de outono e primavera.
Tem como recursos hídricos a ribeira de Alcantarilha, a ribeira de Arade e ribeira de Odelouca. De destacar, também, a albufeira de Arade.
A nível de relevo não é muito acidentado, realçando-se a Gralha (425 m), em Silves, e a Gralheira (281 m), em São Bartolomeu de Messines.

História e Monumentos
A história de Silves remonta ao período pré-histórico conforme testemunham os achados de menires, sepulturas e instrumentos de pedra polida. Na Idade dos Metais, a importância do concelho aumentou devido à sua riqueza em cobre. Por aqui passaram também Fenícios, Gregos, Cartagineses, Romanos (vestígios de estátuas, pedras com inscrições e moedas) e Muçulmanos.
A conquista de Silves aos mouros, por D. Afonso III, ocorreu em meados do século XIII. Este rei concedeu-lhe foral em 1266 e elevou-a a concelho. Em 1504 foi-lhe dado novo foral por D. Manuel.
Do património arquitetónico e monumental do concelho, são de salientar:
- o Castelo de Silves, originalmente de construção árabe, que remonta ao século VIII. Constituído por muralhas de taipa e espessas torres, ergue-se, no centro, uma enorme cisterna com a abóbada abaulada e cinco arcos de volta inteira.
- a Igreja da Misericórdia de Silves, edifício do século XVI, que revela a sua origem manuelina num pórtico lateral muito lavrado, colocado acima do solo, possivelmente a primitiva entrada;
- o torreão das portas da cidade de Silves, antiga torre albarrã, de importante dimensão, que fazia parte das muralhas da cidade;
- o Museu Arqueológico de Silves, que está construído em volta de uma cisterna muçulmana. Alberga uma valiosa coleção arqueológica desde o período paleolítico até ao século XVII.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Neste concelho realizam-se algumas festas de cariz lúdico, popular e religioso, destacando-se as festas da cidade (de 2 a 4 de setembro), a procissão da Páscoa (3 de abril), o Festival da Cerveja (julho) e o festival de folclore (setembro).
O concelho também é palco de algumas feiras, nomeadamente a Feira de Artesanato (agosto e setembro) e a feira de Todos os Santos (31 de outubro).
A nível de artesanato, o realce vai para os trabalhos de olaria, tecelagem, renda de bilros, cerâmica, trabalhos em ferro e cobre e loiça de Porches.
Associadas ao concelho de Silves estão algumas figuras ilustres, nomeadamente o pensador e governador árabe da cidade Ibne Habibe (século XI), o filósofo e senhor de Silves Ibne Caci (século XII), o poeta Ibne Badrune e o príncipe-poeta Al-Mu'Tamid, que governou Silves durante a sua juventude, se destacou pela formação da tertúlia literária em Silves, foi o responsável pela construção do Palácio das Varandas (Axarajibe) e o autor do poema "Evocação de Silves", que muitos acreditam ser a personificação do rei mouro da lenda das amendoeiras. Em épocas posteriores, o navegador Diogo de Silves (século XV) e o poeta e pedagogo João de Deus (1830-1896).
Assim como noutras regiões, em Silves conta-se a lenda das amendoeiras em flor. Uma das versões desta lenda relata a história de um rei mouro - Ibne-Almundim - que encontrou, entre os seus prisioneiros, uma princesa das terras do Norte, de nome Gilda. O rei, arrebatado pela beleza nórdica da princesa, acabou por libertá-la mas, não aguentando a angústia da separação, procurou-a e pediu a sua mão em casamento. Após o casamento, a princesa caiu numa enorme tristeza e adoeceu gravemente. Preocupado, Ibne-Almundim soube por conterrâneos da princesa que o mal dela eram as saudades que tinha da sua terra natal e das paisagens cobertas de neve. Assim sendo, o rei ordenou que se plantassem amendoeiras por toda a parte para dar a ilusão de neve. A princesa recuperou as forças e a alegria.

Economia
As atividades ligadas ao setor secundário têm um papel bastante importante na economia concelhia. As indústrias corticeira e extrativa constituem as principais atividades. A indústria extrativa surgiu na Idade dos Metais e a corticeira, implementada na segunda metade do século XIX, despoletou o incremento económico e urbanístico de Silves.
A área agrícola ocupa cerca de 10,3% da área do concelho, sendo típicos os cultivos de cereais para grão, de frutos secos, de citrinos, os prados, as pastagens permanentes, o pousio e o olival. No que diz respeito à pecuária, aves, ovinos e suínos destacam-se como as principais espécies criadas. Silves tem uma baixa densidade florestal, pouco ultrapassando os 15% (15,1%) da superfície agrícola útil, correspondendo a 11 187 hectares.
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