Sistemática

Ciência que trata da classificação dos seres vivos segundo um sistema (Reino, Filo, Classe, etc.). Os sistemas de classificação começaram por se basear nas características dos organismos em função do seu interesse para o Homem - eram sistemas de classificação práticos (ex.: úteis/nocivos; venenosos/não venenosos; comestíveis/não comestíveis; etc.). Com Aristóteles (384 - 322 a. C.) estabeleceram-se sistemas de classificação racionais, isto é, sistemas de classificação baseados em características estruturais dos seres vivos (por ex.: animais e plantas). Contudo, a diversidade destes sistemas de classificação era enorme pois a escolha da característica utilizada na base de classificação era pessoal e arbitrária.
Em meados do séc. XVIII, Carl Von Linné (Lineu), naturalista sueco, apresentou um sistema de classificação baseado em várias características morfológicas e fisiológicas, as quais refletiam parentesco entre si. Foi o primeiro sistema natural proposto.
Estes sistemas naturais podiam basear-se, ou não, na história evolutiva dos seres vivos. Quando não têm em consideração a história evolutiva, denominam-se horizontais ou fenéticos e são característicos do período pós-lileano mas pré-darwiniano. As teorias evolucionistas permitiram o aparecimento dos sistemas filogenéticos, verticais ou evolutivos, em que era introduzida uma nova dimensão, o tempo. Assim, até meados do séc. XVIII, era costume classificar os seres vivos em dois grandes grupos: o reino animal e o reino vegetal ou das plantas. A distinção entre eles era simples e baseava-se em critérios estruturais e fisiológicos. Os vegetais ou plantas são seres vivos autotróficos, o que significa que são capazes de utilizar as substâncias inorgânicas, tais como água, sais minerais e anidrido carbónico para as transformar nas suas próprias substâncias orgânicas. Isto é possível pelo facto de existirem em muitas das suas células, um tipo especial de moléculas, clorofilas, que participam num complexo processo chamado fotossíntese.
Os minerais, pelo contrário, carecem de moléculas fotossintetizantes e são seres vivos heterotróficos, que devem obter do exterior matéria orgânica para sobreviver. Os animais podem realizar movimentos ativos, enquanto as plantas carecem dessa capacidade. Outra diferença funcional consiste no tipo de produto de reserva que utilizam os animais e as plantas. Os animais utilizam glicogénio e gordura e os vegetais utilizam amido.
As diferenças estruturais baseiam-se na existência, além da membrana citoplasmática, de uma parede celular nos vegetais, que não existe nas células animais, e no tipo de crescimento. Nos animais, o indivíduo atinge um tamanho mais ou menos fixo para cada espécie, enquanto que nas plantas o tamanho final pode ter oscilações, e na maioria delas o crescimento continua, graças à existência de meristemas, durante toda a vida do indivíduo.
Contudo, os estudos sistemáticos e pormenorizados do mundo microbiano, desenvolvidos na primeira metade do séc. XIX, mostraram que alguns grupos de seres vivos não cabiam, claramente, em nenhum dos reinos tradicionais. Apresentavam propriedades intermédias que tornavam difícil a sua classificação. Assim, por exemplo, os protozoários classificavam-se como animais por serem móveis e não possuírem clorofila. As algas incluíram-se nos vegetais pelo facto de possuírem clorofila, ainda que muitas sejam móveis. Os fungos eram considerados como vegetais por serem imóveis, mas também podiam incluir-se no reino animal porque não têm clorofila. Pode fazer-se um raciocínio similar para as bactérias.
Esta situação pareceu resolvida quando, em 1886, o zoólogo alemão Haeckel, discípulo de Darwin, estabeleceu um terceiro reino de seres vivos, o reino dos protistas, em que incluiu as algas, os protozoários, os fungos e as bactérias. O reino animal seria integrado, segundo Haeckel, só pelos vertebrados e invertebrados pluricelulares, que em conjunto constituíam o grupo dos metazoários; o reino vegetal, as plantas com sementes, os fetos, os musgos e as hepáticas.
Com estudos mais aprofundados concluiu-se que do reino protista faziam parte organismos cuja classificação era duvidosa. Assim, Copeland propôs uma classificação com quatro reinos: Monera, Protista, Plantas e Animais, sendo o reino Monera constituído pelos seres vivos, anteriormente considerados pertencentes ao reino protista, sem núcleo individualizado.
Mais recentemente, tem sido adotado o sistema de classificação proposto por Whittaker em 1969, com base não só nos níveis de organização mas também nos três tipos de nutrição: fotossíntese, absorção e ingestão. Este cientista propôs a existência de cinco reinos: Monera (em que falta o tipo de nutrição por ingestão), Protista (os três tipos de nutrição correspondem a várias linhas evolutivas), Fungi ou Fungos (tipo de nutrição por absorção), Plantae ou Plantas (fotossintéticas) e Animalia ou Animais (tipo de nutrição por ingestão). Esta classificação, que incluía as algas no reino Plantas foi alterada, também, por Whittaker, em 1979, passando as algas quer unicelulares quer pluricelulares a ser incluídas no reino Protista ou Proctista.
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