situação social

O conceito de situação, entendido ao nível da situação de interação social na qual o sentido é construído pelos participantes, ocupa um lugar importante nas teorias do interacionismo simbólico (de Blumer ou Goffman). Uma ou mais interações podem desenvolver-se no quadro de uma situação social, que se desenvolve e evolui em função dessas mesmas interações. Por isso, a situação é dinâmica e apresenta uma certa estruturação. É, aliás, um mínimo de estruturação ao nível da experiência espacial, temporal e de contexto, que permite quer as perspetivas de ação, quer a definição comum da situação.
A situação pode ser definida e na realidade acontece que os atores sociais se ocupam, frequentemente, a definir as situações. Segundo Habermas, a situação deve ser objeto de uma definição cooperativa, ou seja, de uma definição comum em vista de uma intercompreensão: "os participantes da interação exprimem-se sempre numa situação que eles devem definir em conjunto, desde o momento que agem em vista de uma intercompreensão". A definição comum de uma situação de ação faz-se, geralmente, em função dos objetivos, dos temas e dos planos de ação. Não é fácil distinguir as noções de contexto, situação e meio ambiente. Louis Quéré considera que "se passa do meio ambiente à situação por meio de uma orientação da experiência, porque a situação depende do registo da organização da experiência - o que não é o caso do meio ambiente". Mesmo quando o meio ambiente é ordenado e organizado (um espaço de trabalho, por exemplo), não o é segundo uma organização da experiência e uma estruturação temporal. A temporalidade faz parte da noção de situação.
A estrutura temporal e a experiência estão também na base da distinção entre situação e contexto. Este é fundamentalmente composto de um conjunto de elementos do meio institucional, de circunstâncias, de normas sociais e de valores culturais. No caso da situação, é a experiência que a organiza; a situação está ligada à maneira como as pessoas a vivem, como são afetadas, como a experimentam e como lhe respondem. É, portanto, ao nível da situação, e não do contexto ou do meio ambiente, que se fala de experiência, seja a experiência coletiva ou a experiência pessoal. Por isso, quando os atores sociais falam da situação, referem-se à experiência pessoal ou coletiva e a um desenvolvimento temporal (um antes e um depois). Mas tanto a experiência temporal como a experiência da situação são estruturadas (enquanto nem todos os contextos constituem situações, faltando-lhes, por exemplo, uma estrutura temporal).
A situação - desde o momento que é uma situação dinâmica e não uma situação estática ou um estado de coisas - tem uma duração, com um início que se desenvolve e evolui até um final, em função de um conjunto de circunstâncias, de causas, de ações e das suas consequências, de motivos, de interesses em jogo, de projetos, de planos de ação, de decisões, de resultados inesperados, de ajudas ou de obstáculos, que se inter-relacionam segundo uma ordem. A situação é, portanto, um "todo contextual" que apresenta uma estrutura temporal e uma configuração.
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