sociabilidade

"Pode-se falar de sociabilidade desde que se encarem as relações desenvolvidas por indivíduos ou por grupos quando essas relações não se traduzem na formação de um grupo suscetível de funcionar como uma unidade de atividade" (Baechler).
Óscar Barata refere que as "formas específicas de estar com e para os outros" - formas de interação - "são caracterizadas pelo sentimento que os que nelas participam têm de estar associados e o prazer que daí retiram". Estas formas, que estão incluídas no conceito geral de interação, tendem "a tomar no decurso do processo social uma individualidade própria independentemente de quaisquer laços com o conteúdo efetivo das relações". Ou seja, como escreve Simmel, em 1964, independentemente de "tudo o que está presente nos indivíduos sob a forma de um impulso, interesse, propósito, inclinação, estado psíquico, movimento - tudo o que está presente neles de maneira a engendrar ou provocar efeitos em outros ou a receber tais efeitos. [...] Essas formas existem por si próprias e pela fascinação que na sua própria libertação destes laços difundem. É precisamente este o fenómeno a que chamamos sociabilidade" (Barata, O. Soares, Introdução às Ciências Sociais, primeiro volume, 1989).
Como refere Jean Baechler, "no interior de cada grupo os indivíduos estabelecem relações, uma boa parte das quais não têm qualquer relação direta com os fins do grupo" (Baechler, Jean, "Grupos e sociabilidade" - in Tratado de Sociologia (org. R. Boudon)). E na vida social são inúmeras as ocasiões em que estas se estabelecem. "São relevantes no trato social, nesse contexto, o tato, a sensibilidade, a simpatia e a cordialidade. Como exemplo deste estar junto apenas pelo prazer da ligação social sem qualquer outro objetivo, e que exprime a forma mais pura da sociabilidade" (Barata, 1989), são apontados os jogos ditos de sociedade, a coqueteria, a conversação, etc. Gurvitch refere as formas de sociabilidade "como elemento central do que se designa correntemente por relações sociais e interação social". Explica "que os componentes mais elementares da realidade social são constituídos pelas múltiplas maneiras de estar ligado pelo todo e no todo, as formas de sociabilidade que [...] se combatem e equilibram em cada unidade coletiva real". Os objetos sociológicos suscetíveis de revelar uma análise de sociabilidade são tão diversos que o autor distingue "a sociabilidade espontânea e as expressões organizadas da sociabilidade, o que visa diferenciar o rígido, cerimonial, preestabelecido do mais propriamente espontâneo".
Segundo Jean Baechler, uma primeira categoria de objetos tem a ver com as formas de sociabilidade que se estabelecem espontaneamente entre indivíduos. "A priori, podemos pressentir que a amplitude, a exclusividade e a densidade da trama das redes variará inteiramente consoante tenhamos em consideração as redes
de parentesco, de vizinhança, de classe. [...] Uma segunda categoria poderia ser definida por redes de algum modo deliberadas, no sentido de que são definidos espaços sociais onde se encontram, por opção, atores sociais que têm prazer e interesse em ser sociáveis uns com os outros. Os salões, os círculos, os cafés são exemplo disso" (Baechler, 1995).
Daí que, no seu uso corrente, sociabilidade designe também a qualidade de uma pessoa que procura a companhia dos outros e que gosta de viver em sociedade.
Como referenciar: sociabilidade in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-26 09:55:16]. Disponível na Internet: