social-democracia

A sua origem é o tronco marxista, de onde derivou em finais do século XIX, quando alguns partidos se desligaram da ideologia de Marx e assumiram uma orientação política própria de transformação e reforma da sociedade. O primeiro grande ideólogo foi Eduard Bernstein (1850-1932), um antigo discípulo de Marx e Engels, depois líder do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Reconhecendo o erro do marxismo na análise das sociedades capitalistas e do seu projeto de transformação das mesmas, discordando da inevitabilidade histórica das revoluções e até da sua ocorrência, Bernstein afastou-se, a partir de 1897, do Marxismo, plasmamdo as suas ideias em artigos. Discordava da ideia da miséria operária nas economias capitalistas mais avançadas, bem como da diluição da classe média no operariado, que considerava que podia beneficiar da riqueza dos capitalistas por via do consumo de produtos gerados pelo crescimento da produção em massa. O desenvolvimento do capitalismo era pois passível de criar qualidade de vida na população trabalhadora e não necessariamente de a atirar para a pobreza.
O capitalismo passava a ser algo em que os partidos defensores da social-democracia deveriam apostar politicamente e lutar pela sua prossecução enquanto meio de desenvolvimento e de distribuição equitativa da riqueza por ele gerada, além de forma de beneficiar os mais desprotegidos. Abandonava-se a ideia de revolução social e de extinção do capitalismo: interessando-se por ele, passava-se antes a dar-lhe, com a social-democracia, uma roupagem social diferente e promotora do progresso com base em reformas sociais e numa distribuição mais justa das riquezas e geradora de bem-estar. A social-democracia reformista passava a defensora do capitalismo, com o qual se conciliou no século XX, principalmente entre as duas guerras mundiais (de 1914 a 1945), não conseguindo porém evitar a irrupção dos totalitarismos no seu seio, como aconteceu na Alemanha com o Partido Social-Democrático. O Pós-Segunda Guerra revelou-se como a grande época da social-democracia, quando foi assumida pelos partidos socialistas, que adotaram as suas políticas reformistas, com destaque para os da Suécia e Dinamarca, os Trabalhistas do Reino Unido ou o SPD alemão, nações que se tornariam, precisamente, nos países mais ricos, estáveis e com melhor nível e qualidade de vida na Europa e até no Mundo, modelos sociais avançados. O socialismo através da revolução era já uma memória, tendo-se optado pela reforma. A luta era, a partir da década de 70 do século XX, com os partidos liberais, pouco avessos à ideia social-democrata de preocupação política com a pobreza e a exclusão social. Nos anos 80 e 90, a social-democracia conquista outros partidos socialistas na Europa, principalmente no Sul, embora o modelo nórdico se encontre em revisão e adequação às novas realidades da globalização e das crises económicas de finais de 90.
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