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socialismo
Historicamente, o termo é usado desde o século XVIII, embora a primeira referência clara só date de 1822, da autoria de Edward Cowper, amigo de Robert Owen. Owen foi um dos pioneiros do chamado socialismo utópico, primeira forma histórica desta doutrina política, que conheceu larga difusão em França (com Saint-Simon, Fourier e Proud'hon) e em Inglaterra, onde Owen chegou a pôr em prática um sistema de cooperativas de produção e consumo. Esta corrente socialista, assim designada por Karl Marx, baseava-se em conceitos morais e religiosos, acreditando na força da vontade e do espírito para alcançar os seus objetivos.
Só com o decurso do século XIX o socialismo conheceu um verdadeiro desenvolvimento, como consequência da industrialização gradual da Europa e da América do Norte, a par do crescimento urbano e da miséria e empobrecimento que com ela alastraram. Este tipo de socialismo recusava a organização social advinda da industrialização e do capitalismo.
Neste contexto surgiu o socialismo científico (também designado por marxismo ou comunismo) de Marx e Engels, que, com a publicação do seu Manifesto do Partido Comunista em 1848, impulsionaram a fase combativa do movimento operário, uma realidade cada vez mais visível por via do enquadramento socialista que o legitimava. Marx entendia o socialismo como uma fase da evolução histórica. A especulação futurista e as críticas moralistas dos socialistas utópicos caíam por terra, numa altura em que o socialismo enveredava por formas de luta mais ativas no sentido da revolução ou da anarquia. A teoria unia-se cada vez mais ao operariado e ao seu movimento organizado, nomeadamente o sindicalismo. Defendia-se um sistema social que respeitasse o indivíduo. O termo socialismo começava, nesta época, a opor-se a comunismo, que radicalizava bastante as suas posições, ao ponto de defender a supressão das classes sociais.
A união do socialismo ao mundo operário foi uma realidade a partir da segunda metade do século XIX, com a internacionalização dessa convergência de ideais e práticas. Porém, se ganhou em organização e poder de luta, o socialismo perdeu também com as lutas internas das suas várias sensibilidades, nomeadamente com o conflito que opôs marxistas a anarquistas, para além das disputas no seio da II Internacional. As correntes socialistas eram cada vez mais diversas, aparecendo as tendências nacionais, como o socialismo de cátedra surgido na Alemanha (os seus teóricos eram professores universitários, catedráticos), que defendia o poder total do Estado. Surgiu também o socialismo cristão, com Lacordaire e Mourier, a defender a necessidade de justiça social como algo indissociável do amor ao próximo pregado no Evangelho. Existia ainda uma corrente designada por socialismo libertário, defendida por Bakunine e Stirner, opositores de Marx na Internacional, que aspirava acima de tudo à libertação do indivíduo. Somente em 1917, com a Revolução Soviética, se produziu uma revitalização dos partidos socialistas com a fundação do Partido Comunista e da III Internacional, sob os auspícios de Lenine.
Criou-se entretanto, em 1923, a Internacional Socialista, que congregava os socialistas que recusavam o modelo soviético. Com a repressão fascista nas ditaduras ocidentais, o movimento socialista agrupou-se nas denominadas Frentes Populares.
Depois da Segunda Guerra Mundial, o socialismo - cada vez mais antissoviético - evoluiu até se converter em partido maioritário em alguns países, embora para tal se tenha afastado dos seus princípios primitivos, substituídos por tendências de natureza social-democrática. Denomina-se este socialismo reformista pelo facto de defender a sua implantação gradual através de reformas legislativas: leis sobre a família, segurança social, pleno emprego, habitação. Fazem parte desta linha os partidos socialistas da Alemanha (SPD, criado em 1871), da Bélgica (PSB, 1945-1978), da França (PSF, 1905), de Portugal (PS, 1973, após extinção de um anterior), Espanha (PSOE, 1888), entre outros. Figuras como Olof Palme, François Mitterrand, Léon Blum, Willy Brandt e Mário Soares são alguns dos referentes socialistas modernos. Apesar de aceitar a luta de classes, o socialismo atual recusa qualquer referência às teses marxistas, criticando de igual modo os países que se reclamam de marxistas-leninistas, com economias estatizadas, partido único e atentados aos direitos humanos (China, Cuba, etc.).
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