sociobiologia

Utilizada na década de 60 por William D. Hamilton e John Maynard Smith, a designação de sociobiologia foi difundida, a partir de 1975, por Edward O. Wilson, passando a ser associada ao estudo do comportamento animal a partir da perspetiva da teoria da evolução de Darwin. Esta ciência teve também as designações de etologia, biologia comportamental e ecologia populacional e levantou poucas polémicas enquanto foi aplicada a animais. O mesmo já não aconteceu com a sociobiologia humana, que foi atacada como racista, sexista e hereditária.
A sociobiologia defende que o comportamento humano evoluiu segundo regras de seleção natural, da mesma forma que a anatomia, tendo assim para além de uma base genética como uma influência do meio ambiente. Para a sociobiologia, o comportamento não é hereditário, dado que um fenótipo, ou seja, as características físicas e comportamentais dos indivíduos, é sempre resultado da interação de um genótipo, a herança genética elementar, com o meio ambiente, sendo variável consoante a espécie e os vários comportamentos dentro da mesma espécie. Reconhecendo a importância da cultura e da linguagem simbólica, os sociobiólogos defendem a sua evolução biológica e a decorrente influência genética por mais remota que seja, associando a evolução cultural a uma evolução biológica e argumentando que os seres humanos têm iguais capacidades para apreender o conhecimento com a mesma facilidade.
A sociobiologia defende a seleção individual em vez da seleção grupal, ou por grupos, argumentando que os indivíduos nos processos de reprodução têm como prioridade a sua pessoa e não o grupo ou a sua espécie, o que significa que a unidade de reprodução é o gene e não o organismo. Segundo os sociobiólogos, este é um comportamento genético egoísta extremo, que pretende perpetuar os seus próprios genes ajudando a reprodução dos seus parentes que partilham a sua herança genética (nepotismo) ou através de relações de reciprocidade, como é o caso da reprodução entre machos e fêmeas em que ambos contribuem de forma recíproca para que ambos os genes sejam transmitidos. Nos seres humanos, as relações de reciprocidade assumem formas complexas e elaboradas não só pela própria complexidade da mente humana, mas também pela forma como os seres humanos se organizam na sociedade. A sociobiologia associa o estudo do comportamento humano à teoria biológica dominante da corrente teórica de síntese neodarwinista, contribuindo para enriquecer a noção desenvolvida durante mais de um século de que o homem é tanto um resultado da hereditariedade como do meio ambiente.
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