Somália

Geografia
País da África Oriental. Localizado no chamado Corno de África, abrange uma área de 637 657 km2. É banhado pelo golfo de Adém a norte, e pelo oceano Índico a leste e sudeste, e faz fronteira com o Quénia a sudoeste, a Etiópia a oeste, e o Jibuti a noroeste. As principais cidades são Mogadíscio, a capital, com 1 234 800 habitantes (2004), Hargeysa (328 000 hab.), Berbera (232 500 hab.), Kismaayo (183 300 hab.) e Marka (230 100 hab.).
O país é árido, constituído por planaltos revestidos de vegetação escassa. É montanhoso a norte, sendo o monte mais alto o de Surud Cad, com 2407 metros de altitude. Os dois rios do país, o Jubba e o Shabeelle, são utilizados para irrigação das culturas.
Clima
O clima é desértico na maior parte do território, mas no litoral faz-se sentir o efeito das monções.

Economia
As atividades principais são a agricultura, a criação de gado e a pesca.
A situação socioeconómica do país constitui um verdadeiro paradoxo, coexistindo a inflação, o desemprego, a má nutrição e as dificuldades da ajuda humanitária com um comércio florescente, sobretudo nas cidades. Os principais parceiros comerciais da Somália são a Arábia Saudita, o Quénia, o Jibuti e o Iémen.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita, não foi atribuído.

População
A maior parte da população somali é nómada, dispondo de poucos haveres para além de cabras, ovelhas e camelos. A população sedentária está concentrada nas montanhas, nos vales dos rios e nas cidades costeiras.
A população da Somália era, em 2006, de 8 863 338 habitantes, o que corresponde a uma densidade de população de 13,47 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 45,13%o e 16,63%o. A esperança média de vida é de 48,47 anos. Nem o valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) nem o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) foram atribuídos (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 14 862 000 habitantes.
No século XIV os Somalis foram convertidos ao islamismo pelos árabes que atravessaram o mar Vermelho, pelo que o islamismo sunita é praticamente a única religião do país. Desde então demonstram uma considerável unidade cultural, ainda que os grupos tribais sejam a base da sociedade somali. As línguas oficiais são o somali e o árabe.

História
O nacionalismo somali originou já um longo conflito com a Etiópia e dificuldades de entendimento com o Quénia. Em causa está a obtenção de um acordo quanto às populações que residem na zona fronteiriça do Quénia. A região de Ogaden foi concedida à Etiópia pelos britânicos em 1948. Foi este o motivo para o conflito constante entre a Somália e a Etiópia que viria a culminar em abril de 1988.
A posição estratégica da Somália fez do país um elemento importante no jogo das rivalidades Leste-Oeste. O país optou pelo socialismo após um golpe de Estado em 1969 e esteve em estrita colaboração política e militar com o Bloco de Leste para assegurar o seu desenvolvimento. Em 1977 deu-se uma rutura com a União Soviética por esta ter apoiado o regime revolucionário de Addis Abeba. Após esta rutura, a Somália passou a centrar as suas atenções no Ocidente. No entanto, a guerra com a Etiópia gerou milhares de refugiados e uma grave crise económica. O país só sobreviveu graças à ajuda do exterior.
Desde 1978, os golpes de Estado foram consecutivos e culminaram no regime de ditadura militar do general Muhammad Siyad Barre. Em janeiro de 1991, Siyad Barre saiu do país e a guerra civil teve nova erupção. O país ficou em estado de completa anarquia. As Nações Unidas estabeleceram forças no país entre 1993 e 1995, mas com a sua retirada regressaram as perturbações da ordem pública. Um governo nacional de transição foi criado em agosto de 2000, mas foi ainda incapaz de aproximar as diferentes fações que dividem o país.
Como referenciar: Somália in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-17 14:49:18]. Disponível na Internet: