Sousa Teles

General do exército, estadista e escritor português, Sebastião Custódio Sousa Teles nasceu a 27 de julho de 1847, em Faro, e morreu em 1921. Com apenas 16 anos entra como voluntário para o Exército, para a arma de Infantaria, alcançando o posto de 1º sargento dois anos mais tarde, em 1865, prosseguindo os estudos superiores militares, que o farão atingir a patente de capitão, no Estado-Maior, muito depressa (1874). Em 1906, atinge o posto de general de brigada, com uma bela folha de serviços, onde se destacam uma série de comissões de serviço público militar. Desempenhou uma série de operações típicas de Infantaria, principalmente no campo da instrução, manobras, estratégia e reforço de linhas defensivas e de transporte, para além de participar em treinos militares no estrangeiro, como foi no caso da comissão de manobras do exército francês. Tornou-se, mercê dessa experiência além-fronteiras, um renomado especialista em instituições militares estrangeiras, dedicando estudos e uma série de artigos, em revistas científicas, e outras publicações (Fortificação dos Estados e Defesa de Portugal; Organização do Estado-Maior do Exército; Introdução aos Estudos dos Conhecimentos Militares), logo a partir de 1878, quando ainda era capitão. Estas obras como os vários artigos eram muito apreciados nos meios castrenses e também na sociedade civil.
Esta notoriedade guindou-o para uma carreira política. Assim, em agosto de 1898, José Luciano de Castro convida-o para o ministério da Guerra, aí se mantendo até 1900, com obra feita nas várias armas terrestres. Mais tarde, no novo ministério presidido por José Luciano de Castro, em 1906, por demissão do governo regenerador de Hintze Ribeiro, a mesma pasta volta às mãos de Sousa Teles, havia pouco mais de um mês promovido à patente de general. Após o regicídio de 1908, e na sequência da formação do governo encabeçado pelo vice-almirante Ferreira do Amaral, o mesmo ministério é novamente entregue a Sousa Teles. Em 1909, foi, durante pouco tempo, chefe de governo. Para além destas funções ministeriais, foi, na sua carreira política, várias vezes deputado e, desde 1899, Par do Reino.
Era sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, integrando outras organizações científicas do País. Foi condecorado também com distinções honoríficas, entre as quais o oficialato e a comenda da ordem de Avis, para além da de Santiago, entre várias medalhas de mérito civil e, principalmente, militar. No estrangeiro, também granjeou prestígio e acumulou distinções, como a grã-cruz da Coroa, na Rússia, ou a medalha de Mérito Militar de Espanha.
Muitos são os títulos do general Sousa Teles saídos a lume, quase todos centrados nas suas operações e áreas de jurisdição e intendência militar, servindo de suporte teórico ou corpo de resultados e linhas de investigação para o desenvolvimento do exército em Portugal. Muitas refletem as experiências e ensinamentos recolhidos no exterior. A sua obra Introdução ao Estudo das Ciências Militares chegou mesmo a ser agraciada com o prémio D. Luís I, atribuído pela Academia Real das Ciências em 1891.
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