Stephen Frears

Realizador inglês, Stephen Frears nasceu a 20 de junho de 1941 em Leicester. Interessou-se por uma carreira teatral enquanto cursava Direito na Universidade de Cambridge. Em 1964, entrou como ator na prestigiada companhia teatral London's Royal Court Theater, onde permaneceu durante duas temporadas. A sua experiência como ator cingiu-se à representação de papéis secundários. Desiludido com a carreira de ator, aceitou um convite de Karel Reisz para trabalhar como seu assistente durante as filmagens de Morgan (1966). Trabalhou como assistente de realização durante mais dois anos, tendo depois colocado em prática toda a experiência, dirigindo algumas séries televisivas entre 1968 e 1971. Foi neste ano que assinou o seu primeiro filme: Gumshoe (Passos Silenciosos, 1971), uma sátira aos filmes policiais de Hollywood onde Albert Finney desempenhou um medíocre ator de vaudeville que, obcecado pela figura de Humphrey Bogart, decide iniciar uma carreira de detetive. O filme teve um fraco desempenho comercial, o que obrigou Frears a refugiar-se no trabalho televisivo, dirigindo 15 telefilmes entre 1972 e 1983. Regressou ao cinema em 1984, dirigindo o thriller The Hit (Refém de Livre Vontade, 1984) sobre um informador (Terence Stamp) que sai da prisão e resolve ir morar para Espanha, sendo perseguido por um assassino contratado (John Hurt). O tom burlesco que Frears impôs ao argumento surpreendeu a crítica, que lhe atribuiu comentários favoráveis. Baseado numa história de Hanif Kureishi e com um magro orçamento de novecentos mil dólares, o realizador deixou a Inglaterra chocada pelo duro retrato do preconceito racial e da homossexualidade na sociedade britânica em My Beautiful Laundrette (A Minha Bela Lavandaria, 1985). Seguiu-se uma visão sobre o amor inter-racial entre um paquistanês e uma inglesa num bairro pobre de Londres em Sammy and Rosie Get Laid (1987). Na senda das temáticas polémicas, abordou o episódio verídico do assassinato do dramaturgo homossexual inglês Joe Orton às mãos do seu amante em 1967 no controverso Prick Up Your Ears (1987). Não tardou um convite de trabalho por parte dos estúdios de Hollywood: a adaptação à tela do romance de Choderlos de Laclos Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas, 1988) com um elenco de luxo onde pontificavam Glenn Close, John Malkovich, Michelle Pfeiffer e Uma Thurman. O filme foi um sucesso e obteve três Óscares (Argumento Adaptado, Guarda-roupa e Direção Artística), além de nomeações para Melhor Filme, Atriz (Close) e Atriz Secundária (Pfeiffer). Permanecendo nos Estados Unidos, rodou ainda The Grifters (Anatomia do Golpe, 1990), um dos melhores exemplos do filme negro contemporâneo, e Hero (Herói Acidental, 1992), uma comédia de enganos que, apesar de contar com nomes como Dustin Hoffman, Geena Davis e Andy Garcia, teve fracos resultados de bilheteira, muito devido aos boatos de divergências nas rodagens entre Hoffman e o realizador. De regresso a Inglaterra, assinou títulos como The Van (1996) e Mary Reilly (1996). Em 2000, realizou High Fidelity (Alta Fidelidade), comédia sobre o dono de uma loja discográfica obcecado por música (John Cusack) que faz uma reflexão sobre as suas falhadas ligações afetivas. O filme valeu sobretudo pela originalidade do argumento e pelas aparições especiais de Tim Robbins e de Bruce Springsteen. Seguiu-se o filme de suspense Dirty Pretty Things (Estranhos de Passagem, 2002) em que Audrey Tautou interpreta uma jovem turca que ganha a vida como camareira, partilha um quarto com um imigrante clandestino nigeriano e que veem as vidas afetadas por uma estranha descoberta.
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