Suão

Romance regional que reflete a convicção de que o regionalismo é mais do que um tipo de literatura pitoresca, devendo duplamente respeitar "a riqueza humana da sensibilidade" do escritor e contribuir para "o desenvolvimento moral e material dos aglomerados rurais" (cf. Textos Teóricos do Neorrealismo Português, 1981, p. 168). Assim se impõe uma narrativa que recusa a objetividade e imparcialidade do narrador, sempre visível na "sinceridade com que ele se entrega às lutas da vida, o seu sentido de dignidade e de justiça, a força humana que dele emana e tem raízes fundas na terra", introduzindo-se no ponto de vista das personagens e intervindo em "judiciosas considerações e comentários sobre os homens e as situações" (cf. prefácio de José Tengarrinha, à 6.a edição de Suão, Lisboa, 1982). Evocando conflitos e contradições humanas de figuras rurais inscritas no espaço alentejano, os rendeiros e seareiros, a narração, reconstituindo a clivagem entre os grupos exploradores e as camadas exploradas, compõe um hino de amor à terra alentejana e ao drama das suas gentes.
Como referenciar: Suão in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-03-20 09:10:57]. Disponível na Internet: