sufismo

Doutrina esotérica do Islão. A palavra "sufi" deriva do árabe suf, "lã", e remete para a túnica de lã que os adeptos do sufismo usam; a mesma palavra relaciona-se também com sufiya, "puro" ou "eleito por Deus".
O Islamismo divide-se, como aliás todas as religiões, em exotérico e esotérico (respetivamente, em árabe, shari'a e haqiqa). Ora, o sufismo é propriamente o seu lado esotérico. Toda a doutrina do sufismo resulta do Corão, do seu aprofundamento.
Os sufis organizam-se em comunidades (turuq, plural de tariqa) que são lideradas por um mestre espiritual (sheik) que tem a grave missão de ajudar as almas dos discípulos a entrar no caminho de Deus. Um dos principais pilares em que o sufismo assenta é o do reconhecimento da unidade de Deus, ou seja, como se diz no Islamismo, de que "não há outro deus a não ser Deus", o que significa que só Deus é verdadeiramente e que as criaturas só têm realidade na sua referência ao Criador. Ao sufi cabe tornar esta doutrina numa vivência efetiva através de uma adesão incondicional de todo o seu ser a essa verdade. Para poder realizar tal condição em si, isto é, para poder realizar experiencialmente a unidade divina o sufi recorre, entre outras práticas, ao dhikr ("invocação", "rememoração"), ou seja, repete mentalmente (às vezes também oralmente) uma determinada frase, normalmente do Corão ou de algum dito que a tradição atribui ao Profeta Maomé. Através deste exercício ele esforça-se por se identificar o mais possível com a frase a um ponto tal que seja só um com ela e consiga assim recriar aquilo a que ela se refere. O dhikr é escolhido pelo mestre espiritual conforme as qualidades do discípulo a que este se destina. Um dos dhikr mais conhecidos é a simples repetição do Nome de Deus - Allah. Entre os sufis há outro aspeto doutrinal que pode ajudar a compreender a importância do dhikr. É dito que nesta invocação aquele que invoca, o invocado e a invocação são o próprio Deus. Esta oração estabelece-se assim numa espécie de circuito fechado no qual só Deus está presente. O sufi quando pratica o dhikr deve deixar Deus invocar-se, deve tornar a sua alma passiva para que o ativo seja Deus.
Está subjacente ao pensamento sufi a ideia de que o mundo deve ser reintegrado em Deus, sendo que esta reintegração se faz por duas vias: a via do amor e a do conhecimento, ambas englobadas pelo sufismo. Segundo afirma um dos ditos que a tradição atribui ao Profeta, Deus disse: "Eu era um tesouro escondido e queria ser conhecido, por isso, criei o mundo". Mas o conhecimento de Deus faz-se pelo conhecimento de si próprio, como diz outro dito: "Aquele que se conhece a si, próprio conhece o seu Senhor". Por isso, a via do sufismo é uma via de interioridade, de descoberta de Deus em si mesmo.
As quatro principais comunidades sufis foram fundadas entre os séculos XII e XIII: tariqa Qadirî (fundada por al-Qadîr al-Jilanî), a tariqa Suhrawardî (cujo fundador foi Shihab ad-Dîn as-Suhrawardî), a tariqa Shadhilî (por Abu'l-Hasan ash-Shadhilî) e, finalmente, a tariqa Maulawî ou Mevlevi (por Jalal ad-Dîn Rumî). Apesar desta linhagem principal já havia comunidades sufis muito antes e, seguramente, havia sufis desde o tempo do Profeta.
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