Sultanato de Deli

O Sultanato de Deli surge na sequência do estabelecimento e alastramento do Islamismo na Índia a partir do século VIII. Sediou-se no Noroeste da Índia ao longo de um largo período de tempo (séc. XIII-séc. XVI), com momentos desiguais em relação ao poder exercido. A sua fundação em 1206 ficou a dever-se ao general Kutb-ud-din Aibak (um antigo escravo turco), mas teve os seus antecedentes nas campanhas de pilhagem e infiltração no território levadas a cabo pelo sultão Muhammad de Ghor (que tomou Lahore em 1186, Deli em 1193, Bengala em 1202). O poder do sultanato revelou-se cada vez mais fortalecido, cujas consequências se fizeram notar numa sociedade que se transformou profundamente. Após ter-se expandido pelos reinos hindus, o sultanato deu origem ao nascimento de regimes muito semelhantes a este. Teve cinco dinastias (1206-1526), todas elas turcas, à exceção da última: a dinastia dos Escravos (1026-1290), a dos Khalji (1290-1320), a dos Turhluq (1320-1414), a dos Sayyíd (1414-1450), por fim a dos Lodi (1451-1526), que pertence a um clã afegão estabelecido na Índia. A hegemonia do sultanato em todo o Norte da Índia (desde o Sinde até Bengala) ocorreria ao longo da dinastia Iltutmish chamada também dos "Escravos". Após um período conturbado fruto da morte de Iltutmich, fundou-se a dinastia Khalji a partir de 1296 e o sultanato chegou ao seu apogeu sob Ala-ud-din Khalji, também de origem turca, tendo submetido o Rajastão e o Decão numa nova fase expansionista. Ala-ud-din khalji anexava Guzerate, Chitor, Dhar e Mandu, entre outros estados, e chegou invadir a parte sul da Índia, reduzindo à vassalagem os reinos hindus. A sua máquina administrativa estava solidamente constituída por forma a poder governar eficazmente todo o território. A partir da dinastia Khalji e já sob o Governo dos Turhluq, apesar das vitórias sobre os Mongóis, o sultanato entrou numa fase de uma certa decadência devido a uma política nem sempre bem sucedida, nomeadamente durante o Governo de Muhammad Turhluq, conhecido pela sua crueldade. Este quis mudar a capital de Deli para Daulatabad, no Decão, o que provocou o descontentamento da aristocracia do Decão, que se aliou ao sultanato, independente de Bahmani. As dissenções internas provocaram a criação de estados regionais que acabaram por fazer frente ao Sultanato de Deli. Conseguiu manter a sua importância, sobretudo no Norte da Índia e ao longo da sua existência a variação do número de territórios controlados demonstrava a habilidade governativa dos responsáveis pelo sultanato. Firaz Shah (1351-1388) soube conservar os territórios que lhe foram transmitidos, mas ele será o último grande sultão de Deli. Em 1388, quando Firuz Tughluq morreu, o declínio do sultanato era iminente. As disputas pela sucessão e as intrigas palacianas aceleraram o processo. Os filhos e netos de Firuz, apoiados por vários grupos de nobres, iniciaram a luta pelo trono, que rapidamente diminuiu a autoridade de Deli e deu oportunidades aos nobres muçulmanos e chefes hindus de afirmarem a sua autonomia. Em 1390 o governador de Guja declarou a sua independência e, entre 1391 e 1394, os importantes chefes rajputas de Etawah rebelaram-se e foram derrotados por quatro vezes. Em 1394 existiam dois sultões, ambos residindo em Deli. O resultado foi uma guerra civil de três anos. Entretanto, a desastrosa invasão de Timur Lang (Tamerlão) piorou toda a situação. O sultanato acabaria por sucumbir às mãos de Lang em 1398, durante uma ação de ataque e pilhagem sobre Deli. O que restou do sultanato resumiu-se ao Vale de Jumna, conseguindo manter-se até 1526, data da invasão de Baber.
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