Susan Sontag

Escritora e ensaísta norte-americana nascida a 16 de janeiro de 1933, em Nova Iorque, e falecida a 28 de dezembro de 2004, em Manhattan, na mesma cidade. Desde a infância demonstrou interesse pela leitura, o que fez com que terminasse a escola mais cedo e ingressasse na universidade com apenas 15 anos. Mesmo aí se verificou que já tinha lido muitas das obras essenciais. Frequentou a Universidade da Califórnia, em Berkeley, tendo mudado depois para a de Chicago, onde se licenciou, em 1951. Foi na universidade que encontrou o seu futuro marido, o professor universitário Philip Rieff, com quem casou pouco tempo depois de o conhecer. Teve o seu único filho com apenas 19 anos. Pouco depois, mudou-se com a família para Boston e continuou a estudar na Universidade de Harvard, onde se doutorou em 1957. No ano seguinte, foi estudar para a Universidade de Oxford, mas desiludiu-se com a instituição. Habituada a uma certa independência e liberdade, proporcionadas pelo tempo em que esteve fora, divorciou-se e resolveu ir para a Universidade de Paris. Foi em Paris, em finais dos anos 50, e em Nova Iorque, em princípios de 60, que se destacou pela sua inteligência e contactou com intelectuais ligados à escrita, à filosofia, ao cinema e à fotografia. Esses contactos permitiram-lhe abrir os seus horizontes e desenvolver o espírito crítico que a caracterizou ao longo da sua vida.
Foi professora de Filosofia, Literatura e Teologia, tendo lecionado na Universidade de Columbia, e escreveu ensaios em publicações como Partisan Review, New York Review of Books, Atlantic Monthly, Nation e The Times Literary Supplement. Do conjunto dos seus ensaios destacam-se, numa primeira abordagem, Notes on Camp, de 1964, que a tornou conhecida e que influenciou grandemente a arte Pop; e Trip to Hanoi, de 1969, ensaio polémico resultante da sua visita ao Vietname onde critica a atuação norte-americana.
Começou a sua carreira de romancista nos anos 60, com a publicação de The Benefactor, em 1963, que fala de um homem que tenta viver a sua vida diária de acordo com os seus sonhos rejeitando as críticas dos que o rodeiam, encontrando finalmente a paz no silêncio. O seu terceiro romance, passado no século XVIII, que valoriza o papel da mulher, foi considerado um bestseller. O seu livro In America, de 1999, baseado na história real de uma mulher, atriz, em busca da sua autoafirmação, de mudança, recebeu o National Book Award (2000). Considerada uma norte-americana liberal e radical, Susan Sontag escreveu em 1968 um dos seus mais famosos ensaios, Against Interpretation and Other Essays, onde se manifesta contra as interpretações restritivas, na maior parte das vezes baseadas em ideias pré-concebidas, com que habitualmente se analisa a arte e defende a intuição, a fruição pessoal, como a verdadeira interpretação de uma obra de arte.
Em meados dos anos 70, foi-lhe detetado um cancro, que venceu após ter estudado a doença e se submeter a quimioterapia. Dessa sua luta contra a doença surgiu a obra Illness as Metaphor, escrita em 1978, onde considera nocivas as imagens sociais, políticas e militares que se criam à volta das doenças que, segundo a autora, nada mais são do que doenças. Essa sua manifestação vai ser reforçada dez anos mais tarde no seu livro Aids and Its Metaphors, em que critica a visão metafórica da doença como um castigo.
Ativista dos Direitos Humanos, sempre atenta a tudo o que se passava no mundo e de espírito sempre aberto, participativo e crítico, a sua presença fazia-se sentir em acontecimentos importantes e que exigiam a sua visão crítica como, por exemplo, na defesa de Salman Rushdie, aquando da publicação de Versículos Satânicos, que pôs a cabeça do autor a prémio no mundo islâmico; na sua visita a Sarajevo em tempo de conflito, quando perguntou o que poderia fazer para ajudar e lhe pediram que encenasse a peça À Espera de Godot; na sua manifestação contra a opinião corrente que exaltava a cobardia dos ataques aos EUA de 11 de setembro de 2001, afirmando ser necessária coragem para executar tal ato que não pretendia ferir a humanidade mas sim manifestar-se contra o procedimento dos EUA como autoproclamada superpotência mundial; e no seu ensaio Regarding the Pain of Others, de 2002, quando faz uma crítica ao tratamento de prisioneiros de guerra no Iraque.
O seu trabalho foi várias vezes reconhecido e galardoado com honras e prémios, como a nomeação de Comendadora das Artes e das Letras pelo governo francês, em 1999; o prémio National Book Critics Circle Award Prize em Itália, em 1978, pela obra On Photography; o Jerusalem Prize, em 2001; o prémio Príncipe das Astúrias, em 2003; e, no mesmo ano, o Peace Prize of the German Book Trade.
Como referenciar: Susan Sontag in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-03-30 17:14:49]. Disponível na Internet: