Tábua das Matérias

Da autoria de Pedro Tamen, inclui Poema para Todos os Dias, 1956; O Sangue, a Água, o Vinho, 1958; Primeiro Livro de Lapinova, 1960; Poemas a Isto, 1962; Daniel na Cova dos Leões, 1970; Escrito de Memória, 1973; Os Quarenta e Dois Sonetos, 1973; Agora, Estar, 1975; O Aparelho Circulatório, 1978; Horácio e Coriáceo, 1981; Dentro de Momentos, 1984; Delfos, Opus 12, 1987; Inéditos e Esparsos, 1965-1991. As duas primeiras coletâneas coligidas têm como fio condutor um tom celebratório subtilmente tecido com símbolos eucarísticos, em composições integradas, segundo Fernando J. B. Martinho (cf. MARTINHO, Fernando J. B. - Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, 1996, pp. 411-416), numa unidade fundada numa estrutura compositiva triádica. Os volumes iniciais anunciam ainda alguns dos traços que distinguem a poética de Pedro Tamen, nomeadamente o obscurecimento da escrita pela aproximação a um certo nonsense, de cunho quase lúdico, obtido pela rutura com a estrutura logicista da frase e que o coloca na senda das aquisições surrealistas, e acresce a recriação de uma fala endereçada a um tu, destinatário da ilocução religiosa, nas primeiras obras, ou amorosa, em obras como o Primeiro Livro de Lapinova. Deste modo, na escrita de Pedro Tamen a vivacidade verbal é "fruto de um dinamismo sintático e vocabular que transgride constantemente a linearidade do discurso. [...] o poema é um organismo vivo, extremamente intenso, em que algo se passa que não podemos determinar bem mas que, na sua imediatidade, constitui uma fulguração que nos abre perspetivas na imensidade cósmica e humana." (cf. "A poesia incoativa de Pedro Tamen", in ROSA, António Ramos, A Parede Azul, Estudos sobre Poesia e Artes Plásticas, Lisboa, 1991, pp. 101-102).
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