Tarrafal

Colónia penal portuguesa na ilha de Santiago, em Cabo Verde, inaugurada em 1936 e encerrada em 1949. Foi reaberta durante pouco tempo nos anos 50, sendo reativada na década de 60 para presos ligados a movimentos anticolonialistas e anti-fascistas. Pelo terror que inspirou, tornou-se um dos símbolos do sistema judicial do Estado Novo. Era uma das muitas prisões políticas de que o regime se servia para efetivar as suas medidas de repressão, apoiado na polícia política (PIDE). Naquele campo prisional, os detidos eram submetidos a torturas psicológicas e físicas, que podiam levar inclusivamente à morte. Na sua grande maioria, os seus presos não tinham tido direito a julgamento, não havendo qualquer entidade que os defendesse. Mesmo as diretivas emanadas pelo Supremo Tribunal de Justiça não eram aplicadas pela polícia, o que colocava a vida de qualquer preso das cadeias de então numa situação muito precária.
O dia a dia dos presos era regido por uma forte disciplina, sendo quaisquer reivindicações contra as condições existentes refreadas pela "frigideira" (enterrados na areia quente com a cabeça desprotegida face ao sol escaldante) ou a transportar barris de água para depois os partirem, num clima seco e com sedes terríveis). Estes meios de repressão não acabaram com a vida coletiva dentro da prisão, com fortes ligações políticas e ideológicas, como é o caso da Organização Libertária Prisional (1936-1952), de pensamento anarquista, dirigida por Acácio Tomás de Aquino, ou da Organização Comunista Prisional do Tarrafal, que após a amnistia de 1940 regressou ao país para reorganizar o Partido Comunista, cujas estruturas se encontravam sob suspeita de albergar elementos infiltrados.
Como referenciar: Tarrafal in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-11 17:40:43]. Disponível na Internet: