televisão

Tecnicamente, a televisão baseia-se em dois princípios: a persistência das imagens na retina, que permite que uma sucessão de imagens fixas dê a sensação de continuidade do movimento, e a decomposição de imagens em pontos passíveis de serem transmitidos através de ondas hertzianas.

Um sistema de televisão completo incluirá uma câmara, que transforma as imagens em sequências de pontos, um emissor, que faz a difusão em ondas hertzianas, e um recetor, em que as ondas hertzianas são captadas e descodificadas numa sequência de pontos, que reproduzem num ecrã as imagens originais.

Embora existisse já desde 1926 um sistema mecânico de transmissão de imagens, desenvolvido pelo escocês John Baird, foi apenas a partir de 1934, quando Vladimir Zworykin, um russo a viver nos Estados Unidos, criou o iconoscópio, que surgiram as primeiras aplicações práticas.
O iconoscópio, precursor dos atuais tubos de imagem das câmaras de televisão, permitia decompor uma imagem em milhares de pontos, convertidos num sinal modulado. A invenção do iconoscópio levou ao desenvolvimento do televisor, que utilizava o tubo catódico inventado em 1897 pelo alemão Karl Braun, e em 1936 surgiram as primeiras emissões regulares de televisão, feitas em Londres pela BBC.

A existência de diferentes normas de definição (usualmente medida em linhas por ecrã), primeiro, e de codificação de cor, depois, dificultou o estabelecimento de transmissões internacionais e, sobretudo, intercontinentais.

No entanto, o esforço feito no sentido de estabelecer normas comuns e o desenvolvimento de novas soluções técnicas permitiu que, a partir da década de 60, fossem estabelecidas ligações internacionais e intercontinentais através de satélites geoestacionários, uma solução hoje em dia frequentemente utilizada.

O desenvolvimento das emissões a cores, atualmente banais, baseia-se na capacidade de reproduzir uma cor através da combinação de três cores-base, vermelho, verde e azul.
Desta forma, qualquer imagem pode ser decomposta em três imagens, uma para cada cor, e estas decompostas por sua vez numa sequência de pontos por um processo idêntico ao utilizado nas câmaras de televisão monocromáticas.

O primeiro sistema de codificação de cor a surgir foi o NTSC, americano, em 1953; posteriormente surgiram o SECAM, francês, e o PAL, alemão. Todos estes sistemas, incompatíveis entre si, coexistem atualmente.
O sistema PAL foi o adotado no nosso país.

Atualmente está já disponível a tecnologia para fazer a codificação, emissão e receção do sinal de televisão sob a forma digital, em que a modulação de onda é substituída por uma sequência numérica.
Este processo permite melhorar significativamente a qualidade de receção, pois esta deixa de depender da inexistência de ruídos parasitas.

A televisão tem um papel importantíssimo na sociedade atual, sendo o meio de comunicação de maior impacto junto da opinião pública.

Até ao final da II Guerra Mundial, assistiu-se ainda à era da rádio. A televisão só se expandiu definitivamente na década de 50, com a multiplicação das vendas de aparelhos.

Diversificaram-se as produções (que eram ainda todas ao vivo, por imperativo de ordem técnica), aumentou o número de programas transmitidos diariamente e de horas de emissão. A rápida expansão da televisão às mais variadas regiões do mundo provocou, sem uma rutura aparente, uma verdadeira mutação qualitativa e quantitativa dos meios de comunicação de massas.

A televisão fez-se agente de uma revolução que impôs o audiovisual como uma realidade central da cultura e do quotidiano de larguíssimas camadas da população.

Como veículo de informação e instrumento lúdico, a televisão influencia a vida dos cidadãos, modela-lhes as crenças e os valores.
Pelas suas características técnicas, acaba por condicionar o espectador a uma atitude de observação passiva das mensagens que recebe.

Ao mesmo tempo, a própria força audiovisual dessas mensagens impõe-se de tal forma que os analistas chamam frequentemente a atenção para os perigos de manipulação que podem advir do contacto exclusivo com um meio de comunicação de massas tão imediato e, por isso, tão pouco estimulador da reflexão independente.
Mas, por outro lado, a dimensão informativa e democratizante da televisão no mundo atual não pode deixar de ser apreciada.

Com a revolução das telecomunicações, ligada à utilização de cabos e satélites, multiplicaram-se as possibilidades de envio de informações à escala mundial.
As populações podem manter-se informadas muito rapidamente, tanto quanto os órgãos de decisão.

Assim, torna-se mais difícil o exercício de um poder único e central. Mas também existe o risco, nos regimes democráticos, de o poder político considerar demasiado a opinião pública no processo de tomada de decisões.

Em Portugal, a televisão deu os primeiros passos, a preto e branco, a 4 de setembro de 1956.
As emissões regulares tiveram início a 7 de março de 1957 e, nessa altura, só podiam ser captadas na região de Lisboa.

Nos anos seguintes, a Radiotelevisão Portuguesa (RTP) chegaria ao Porto, à Madeira e aos Açores, e depois cobriria todo o território nacional, com delegações nas diversas regiões. Em 1968 tiveram início as emissões do segundo canal da RTP.

As fases da sua evolução no nosso país confundem-se com os ciclos políticos, económicos e sociais. Durante o Estado Novo, a RTP pertencia ao Estado, à Igreja e à Rádio Renascença, e era o aparelho ideológico do regime.
Depois do 25 de abril de 1974, procedeu-se à nacionalização da empresa.

Foi através da RTP que o país assistiu ao maior duelo político a seguir ao 25 de abril, durante quatro horas, a 6 de outubro de 1975, entre o líder do PS, Mário Soares, e o líder do PCP, Álvaro Cunhal.
É em 1977 que se inaugura a era das telenovelas, com a transmissão da telenovela brasileira Gabriela, que fez parar o país. A transmissão a cores começou em 1980.

Em 1992, com Cavaco Silva como primeiro-ministro, arrancaram as emissões da Sociedade Independente de Comunicação (SIC), o primeiro canal privado de televisão, e em 1993 tiveram início as da Televisão Independente (TVI), canal também privado e inicialmente de inspiração cristã.
Estes canais conseguiram em pouco tempo impor mudanças no estilo da informação e da programação em geral.

A transmissão da televisão por cabo surgiu em Portugal em 1994 e permitiu o aparecimento de mais canais televisivos nacionais e estrangeiros, proporcionando ao telespectador um leque mais variado de escolhas.

A 21 de novembro, comemora-se o Dia Mundial da Televisão.
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