Teolinda Gersão

Escritora portuguesa, nascida em 1940, formada em Filologia Germânica em Coimbra. Doutorada em 1976 e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, foi leitora de Português na Universidade de Berlim, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada.

A partir de 1995 passou a dedicar-se exclusivamente à escrita literária. Viveu três anos na Alemanha, dois no Brasil, e conheceu Moçambique, onde se passa o romance A árvore das palavras (1997). Foi escritora-residente na Universidade de Berkeley em 2004.

É autora de 19 livros e a sua obra encontra-se traduzida em 20 países. É considerada uma das maiores escritoras portuguesas contemporâneas e tem sido galardoada com os mais importantes prémios literários nacionais, como o Grande Prémio do Romance e Novela da APE (com o livro A casa da cabeça de cavalo), o Prémio de Ficção do PEN Clube (com os livros O silêncio, 1981, e O cavalo de sol, 1989), o Prémio Fernando Namora (Os teclados, 1999, e Passagens, 2014), o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco (Histórias de ver e andar, 2002, Prantos, amores e outros desvarios, 2016), o Prémio Máxima de Literatura (A mulher que prendeu a chuva e outras histórias, 2008), o Prémio da Fundação Inês de Castro (2008), o Prémio Ciranda e o Prémio da Fundação António Quadros (A Cidade de Ulisses, 2011), e o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2017 pelo conjunto da sua obra.

Alguns dos seus livros foram adaptados ao teatro e encenados em Portugal, Alemanha e Roménia.

A ficção de Teolinda Gersão desenvolve, na escrita contemporânea, uma poética romanesca original, abrindo a narração, a que o respeito pelas categorias de espaço, tempo, personagens, intriga confere certa verosimilhança, a uma irradiação de sentidos que decorre de um metaforismo assumido de forma estrutural pela narrativa. Não que as personagens e as suas relações, os temas ou os seres se reduzam a um carácter alegórico: o que ressalta é que por detrás da "história" estão em conflito pulsões humanas universais, frequentemente centradas sobre a dinâmica dos opostos (homem/mulher, caos/cosmos, racionalidade/loucura, entre outros).

A ilusão da transparência, obtida por uma ordem sintagmática nítida, pela simplicidade da frase, despojada de tudo o que é acessório, pela redução do número de personagens, pela simplificação da ação, confere, então, às suas narrativas o estatuto de uma escrita mítica, cujo objetivo não é a representação, mas o conhecimento.

Ao mesmo tempo, cada uma das suas narrativas, desenvolvendo até à exaustão algumas metáforas centrais (o cavalo, o teclado, etc.), desfibra todo o tipo de alienação social e mental subjacente à rutura dos princípios de harmonia invisível e de unidade íntima do homem com o universo. Como a pianista (e a romancista) de Os Teclados, Teolinda Gersão, diante de um "mundo fragmentário" e "indiferente", onde "as pessoas não formavam comunidades e só havia valores de troca", um "mundo vazio", persiste em tentar desvendar enigmas, como se a escrita e a exigência de rigor fossem "a transcendência que restava": "Aceitar o nada, o mundo vazio. E apesar disso, pensou levantando-se e sentando-se no banco - apesar disso sentar-se e tocar."

Como referenciar: Teolinda Gersão in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2021. [consult. 2021-05-06 07:40:42]. Disponível na Internet: