Teorias literárias românticas
Proclamando a rutura com a Poética, entendida como um saber normativo, a miscigenação dos géneros e o abandono dos cânones clássicos e neoclássicos, o Romantismo vai engendrar, sob o signo da liberdade de criação, uma
multiplicidade de teorias literárias, que variam nos diferentes países, ao longo das gerações e até de autor para autor.
Apesar destas diversidades, é possível apontar alguns princípios comuns às diferentes teorizações literárias românticas. Por um lado, a teoria literária do Romantismo alicerça-se sobre uma visão histórica dos povos e das literaturas
e sobre a certeza de que a literatura moderna está intimamente ligada à sociedade atual e não pode obedecer a fórmulas obsoletas: os românticos preconizam, por isso, uma arte e uma literatura nacionais, modernas, ligadas à existência das nações e à alma popular.
Ao postulado da beleza eterna e universal, opõe-se o da renovação de beleza, de acordo com as épocas, os povos e os indivíduos. Por outro lado, as teorias românticas concebem a arte como criação original, expressão individual e subjetiva, o que se relaciona com a valorização da imaginação, enquanto faculdade de conhecimento e de conceção de universos possíveis, e do génio, em detrimento da razão. Como consequência, o poeta é elevado à categoria de vidente, demiurgo, condutor dos povos e das nações.
Em Portugal, o primeiro a reconhecer a inexistência de uma reflexão teórica em Portugal e o nosso atraso em relação ao estrangeiro é Herculano, que, em dois artigos publicados no Repositório Literário, propõe um programa de estudos literários que permitam elaborar uma nova poética, como condição para uma renovação literária. Nos nossos românticos, se é inegável a ausência de um conjunto articulado de ensaístas em que se manifeste uma reflexão teórica sistemática sobre a literatura, é possível encontrar, no entanto, vários textos de teoria literária repartidos pela imprensa periódica, apensos a prefácios, posfácios, advertências, incluídos em obras ensaísticas e pedagógicas e até contidos em fragmentos metatextuais insertos em obras literárias.
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