Terra de Vera Cruz

Pedro Álvares Cabral, filho segundo do corregedor da Beira e senhor de Belmonte, comandou a segunda armada enviada à Índia (da qual fizeram parte Simão de Miranda de Azevedo, Pero de Ataíde, Aires Gomes da Silva, Gaspar de Lemos, Nicolau Coelho, Bartolomeu Dias, Nuno Leitão da Cunha, Vasco de Ataíde, Diogo Dias, Luís Pires, Simão de Pina e Sancho de Tovar), que partiu de Lisboa em março de 1500. No mês seguinte, os olhos dos navegantes pousaram [...] primeiramente d'um grande monte, mui alto e redondo, e d'outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz.
Foi deste modo que Pero Vaz de Caminha descreveu a terra avistada na tarde de 22 de abril de 1500, também denominada Terra de Santa Cruz e depois Brasil, devido a uma madeira cor de fogo que lá abundava (o pau-brasil). Após este incidente, a armada lançou âncora a 6 léguas da costa para passar a noite, tendo sido enviadas, no dia seguinte, caravelas e naus para reconhecimento. Estas colocaram-se na foz de um rio, denominado rio do Frade, e foram então a terra Nicolau Coelho e um punhado de homens num batel para iniciar contacto com os indígenas. Deste contacto resultaram apenas uma troca de ofertas, os portugueses foram presenteados com um colar de contas brancas e um chapéu feito com penas coloridas de pássaros, e os índios receberam em troca um chapéu preto, um barrete vermelho e uma carapuça em linho.
Depois deste primeiro contacto, uma borrasca levou a que Pedro Álvares de Gouveia Cabral navegasse em direção ao Norte, chegando à baía de Cabrália e de aí levando dois indígenas para bordo, com o intuito de tentar obter informações. Os índios tupiniquins, como se denominavam os habitantes desta terra, mostraram-se amistosos com os portugueses. A primeira missa rezada na Terra de Vera Cruz foi no domingo de Pascoela, dia 26 de abril de 1500. Um franciscano, Frei Henrique de Coimbra, presidiu a celebração, que se realizou na pequena ilha da Coroa Vermelha e à qual assistiram cerca de duas centenas de índios, além da tripulação das embarcações. Logo nesse dia, os capitães da esquadra tomaram a decisão de enviar ao rei a notícia do achamento da Terra de Vera Cruz. O navio que levaria a boa nova percorreu 150 léguas ao longo da costa, entre Porto Seguro e o cabo de Santo Agostinho.
Ergueu-se na foz do rio Mutari uma grande cruz em madeira, com a finalidade de tornar reconhecível aquele porto, fundamental para a aguada de navios que seguissem aquela rota. Estavam presas nela as armas de D. Manuel I e foi rezada outra missa na ocasião.
A carta que mestre João Faras enviou ao rei diz que a terra onde tinham chegado se encontrava referenciada num mapa pertencente ao Bisagudo, cujo nome próprio era Pero Vaz da Cunha. Devemos frisar o facto de as cartas ou mapas da altura e sobretudo as anteriores apresentarem uma informação muito limitada e bastante imaginativa, uma vez que os conhecimentos empíricos eram poucos.
A 2 de maio a armada de Pedro Álvares Cabral deixa o Brasil, sendo em 1501 enviada uma expedição a esta terra, comandada por Gonçalo Coelho e da qual faziam parte Américo Vespucci e Gerardo Verde, com o intuito de reconhecer e delimitar o território, assim como de explorar as suas possibilidades económicas. Na escala que esta expedição fez no Senegal encontrou alguns navios da armada de Cabral, e os relatos dos tripulantes fizeram Vespuccio chegar à conclusão que o Brasil fazia parte de uma terra que anteriormente visitara ao serviço dos reis castelhanos.
Somente em 1502 os reis de Castela tomam conhecimento do achamento desta terra, que seria repartida de acordo com o Tratado de Tordesilhas.
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