texto épico-lírico

O texto épico-lírico implica características da epopeia e da lírica, ou seja, resulta da fusão de elementos épicos com uma componente lírica capaz de exprimir os sentimentos ou os pensamentos íntimos do "Eu". Pressupõe a junção da conceção narrativa e da grandiosidade de assunto do texto épico com a função emotiva e a subjetividade do texto lírico.
Como texto épico, exige a celebração de um feito, de um acontecimento grandioso e histórico ou do espírito de um povo; como texto lírico, exprime estados de alma, reflexões e sentimentos do "Eu" sobre o que narra. Ao ter marcas épicas, o "eu" revela a sua relação com o mundo, enquanto a voz lírica exprime o seu estado de alma, através de um discurso mais ou menos rítmico.
Já na antiguidade, encontramos textos épico-líricos como o ditirambo, hino que invocava, narrava e celebrava os feitos do deus Dionísio. Estes textos passaram mais tarde a servir a tragédia. Na Idade Média, O Romanceiro, cuja origem, de acordo com alguns críticos, o aproxima das canções de gesta, é também um texto épico-lírico na medida em que não só narra os factos mas, ao mesmo tempo, expressa a emoção efetiva. Nas literaturas anglo-germânicas, é épico-lírica a balada, que cantava lendas sentimentais e tradições populares. Em muitas literaturas observa-se a presença de textos que misturam elementos épicos com elementos líricos. Por um lado, há uma narrativa heroica, com a presença do "maravilhoso", por outro lado, a sentimentalidade e a emoção são uma constante.
No século XX, em Portugal, a "Mensagem" de Fernando Pessoa é um dos melhores exemplos de texto épico-lírico. Nela, por um lado, é possível observarmos o sentido épico pela presença de fragmentos de discursos narrativos, das alusões históricas, dos feitos heroicos, do maravilhoso (com as referências mitológicas) e da expressão do espírito do povo português; por outro lado, a brevidade dos poemas, o valor em si que cada poema possui isoladamente, a expressão das emoções, a valorização do "Eu" são marcas do discurso lírico. O relato histórico dá lugar à visão subjetiva e introspetiva dos acontecimentos que contêm valores míticos e simbólicos.
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