TGV

O TGV (acrónimo formado pelas palavras «Train à Grande Vitesse» - comboio de alta velocidade) é o comboio mais rápido do mundo. Começou a circular, em 1981, em França, atingindo velocidades de 370 km/h (229 mph) e utilizando tecnologias de ponta. A expectativa da França reside em que se forme uma rede ferroviária ultraveloz, assinalando uma nova era nos comboios de superfície.
O programa TGV foi lançado no final da década de sessenta. Numa primeira fase, sentenciaram-no como estando tecnologicamente condenado. Na época, os especialistas consideravam que as tecnologias, os materiais associadas ao aço - rodas e carris - estavam já explorados nas suas máximas potencialidades, sendo então necessária a mudança para novas tecnologias, como a levitação magnética e a propulsão a jato. Todavia, no início, o projeto não recebeu qualquer apoio governamental.
O consórcio TGV compreende, para além dos comboios, infraestruturas ferroviárias e tecnologias de ponta que, combinadas, tornam possíveis velocidades médias de 300 Km/h ou 186 milhas por hora. O sistema TGV é um consórcio administrado pela SNCF, os Caminhos de Ferro Franceses, sendo parte integrante dos mesmos.
A ideologia inerente à instalação do TGV era o desenvolvimento de um sistema ferroviário de alta velocidade que fosse compatível com as infraestruturas já existentes. Esta perspetiva trazia o importante benefício de permitir que os comboios de alta velocidade usassem os equipamentos existentes no centro das cidades, onde construir novas linhas ou estações se tornaria muito dispendioso, cobrindo, a custos mais reduzidos, um maior número de países.
Nos anos setenta iniciou-se um programa intensivo, com o objetivo de testar o primeiro protótipo - o TGV 001 - comboio alimentado por um sistema de turbinas de gás. Em 8 de dezembro de 1972 foi estabelecido o recorde mundial de velocidade, que se manteve até 1995, de um comboio de tração autónoma - 318 km/h (198 mph). O TGV 001 realizou mais de 175 viagens a velocidades acima dos 300 km/h (186 mph) e, conjuntamente com outros protótipos, forneceu as bases para o desenvolvimento e a produção do TGV. Nos finais da década começou-se a construir uma linha ferroviária completamente nova, entre Paris e Lyon, tendo sido inaugurada a primeira secção a 23 de setembro de 1981, pelo então presidente francês, François Miterrand. Os comboios TGV tornaram-se rapidamente populares, dada a alta velocidade atingida, a conceção aerodinâmica e estética. Esta nova forma de transportes fez concorrência direta às linhas aéreas, nomeadamente à de Paris-Lyon, tornando-se uma das maiores fontes de receita da SNCF, o que permitiu recuperar, numa década, o investimento realizado. O governo Francês, confrontado com este sucesso, fomentou o desenvolvimento de mais e melhores redes ferroviárias. O TGV tornou-se então um símbolo do desenvolvimento tecnológico associado a um país: a França.
Desde então, desenvolveram-se novas linhas e composições associadas à tecnologia TGV. Em 1989, o «TGV Atlantique» começou a servir a zona oeste de Paris. A SNCF e os consórcios associados têm promovido, através de uma pesquisa contínua, por exemplo, ao nível da engenharia, um constante progresso das tecnologias utilizadas.
Em 18 de maio de 1990 usando equipamentos suportados por tecnologias de ponta, o novo TGV bateu o anterior recorde de velocidade, atingindo 515,3 Km/h (320,3 mph).
Em 1993 foi inaugurada a linha do norte da Europa, que liga a cidade-luz a Lille, à Bélgica, à Holanda, à Alemanha e ao Reino Unido - através do Túnel da Mancha.
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